NA TRILHA DO BOM GOSTO DE UMA PAIXÃO NACIONAL
Para os noveleiros nostálgicos e saudosistas, fãs fervorosos das novelas brasileiras, as costumeiras reprises e relançamentos eventuais em DVD ou streaming são um prato cheio. Grande parte do público telespectador brasileiro consome o entretenimento televisivo mais prestigiado e popular da América Latina e, também por isso, alimenta esta demanda por reexibições há décadas. E em 2020, essa tradição ganhou um novo capítulo.
Desde
1990, quando a então subsidiária Globo Vídeo lançou suas primeiras coleções de mídias
físicas (em fitas VHS e posteriormente em DVDs) com os compactos de minisséries
como Anos Dourados, O Primo Basílio, Desejo e Morte e Vida
Severina já foram lançadas centenas de produtos editados do acervo de
teledramaturgia da rede Globo de televisão e dos vários canais geridos pela
operadora Globosat. Basicamente, são minisséries, séries, especiais e programas
jornalísticos, na íntegra ou em edições compactas. Isso sem falar do mercado
pirata, ampliado sobretudo pela popularização do acesso à internet, que
comercializa capítulos de novelas provenientes em geral de gravações caseiras
ou de edições extra-oficiais das produções clássicas e também das menos
cotadas.
Pela
primeira vez, no entanto, na história da teledramaturgia brasileira, é possível
assistir e comparar várias produções (tanto quanto for possível) ao mesmo tempo.
Aos poucos, está se criando também o hábito de maratonar as novelas (como já
ocorria há tempos com as tradicionais séries estrangeiras e nacionais) de
acordo com as preferências, o tempo e a liberdade de cada espectador (ou grupo
de). Ainda que algumas telenovelas clássicas jamais tenham sido reprisadas no
Brasil, por razões insondáveis ou pouco conhecidas pelo grande público (como
por exemplo, os numerosos desmandos e problemas criados pela censura estatal do
regime militar), cresce também a curiosidade do grande público em relação às
novelas menos acessíveis, como por exemplo, Sétimo
Sentido (TV Globo, 1982), um dos maiores sucessos de Janete Clair, Corpo a Corpo (TV Globo, 1984/1985), um
dos êxito marcantes de Gilberto Braga e um folhetim global exportado e visto em
pelo menos 18 países, além do Brasil.
Embora
estes títulos ainda estejam demorando bastante para retornar ao já robusto menu
de opções do Globoplay, o grande salto do número de telenovelas disponíveis para
assistir no tempo propício para cada telespectador-assinante, é um fato a se
comemorar, pois traz novamente a esperança de resgate das novelas mais
censuradas e menos comercializadas. É uma valorização inédita e sem
precedentes, levando-se em conta a alta audiência dos folhetins televisivos (e
ao mesmo tempo o descaso em relação ao acervo de teledramaturgia) da maioria
das outras emissoras de TV aberta atuais, como Band, SBT e Record TV; algo que
ocorria também em épocas pioneiras nas extintas Tupi, Manchete, entre outras.
Apesar
de ser o carro-chefe da programação da maioria das emissoras de TV aberta, boa
parte da empresas brasileiras de televisão pouco se dedicaram a conservar e
preservar as suas próprias produções, à exceção da TV Globo. E, ainda assim,
menos do que o público de hoje, saudoso das grandes novelas, gostaria.
Percebendo
este panorama inédito e amplo da teledramaturgia brasileira, eu, Luís Carlos
Festl, telespectador e fã da teledramaturgia brasileira, resolvi criar o blog
TRAMASTRILHAS, com o intuito de analisar, refletir e contribuir com este
movimento positivo, otimista e também reflexivo em relação às telenovelas
globais e às demais produções televisivas ficcionais. A partir de contatos com
um grupo seletivo de telespectadores, fãs e colaboradores igualmente
admiradores e estudiosos das artes cênicas, da literatura, do cinema e da
teledramaturgia, proponho com o blog um espaço virtual de reflexão e construção
coletiva de apóio à teledramaturgia brasileira. Todos os que integram o grupo
têm profissões ou atividades profissionais diversas, mas todos tem em comum o
fato de torcer pela teledramaturgia, bem como pela qualidade e pela diversidade
de programação na televisão e na mídia brasileira de forma geral.
Nosso
foco, portanto, será a análise de temáticas abordadas principalmente em
telenovelas globais com as quais temos mais conhecimento, gosto pelo entretenimento
e familiaridade. Principalmente agora, no momento atual, em que temos cada vez
mais condições de acessibilidade a um conjunto considerável de telenovelas
produzidas por aquele que é tido como o maior grupo empresarial produtor de
teledramaturgia da América Latina, superando até mesmo as televisões do México,
tradicional reduto produtor e exportador de novelas de TV.
Comentaremos
não apenas o acervo de telenovelas exibido e preservado pela TV Globo, como
também a memória global que é também
cultuada pelos fãs de teledramaturgia brasileira e a memória cultural dos
folhetins televisivos de todas as emissoras de TV nacionais que tiveram ou têm
relevância na TV aberta e na TV fechada.
Acesse
o blog: tramastrilhas@blogspot.com. A cada mês,
escolheremos uma temática relevante desenvolvida por, no mínimo, duas
telenovelas brasileiras clássicas ou antológicas e faremos um comparativo ou um
paralelo entre as abordagens específicas feitas pelas produções. A cada semana,
faremos pelo menos uma postagem comentando tramas (particulares de cada novela
ou como um ponto em comum, ou seja, semelhantes entre as produções de
teledramaturgias) e trilhas sonoras (músicas, canções e temas musicais) das
referidas novelas. Comente os posts de textos, resenhas e quadros ilustrativos e
participe com observações e sugestões. Expresse também a sua opinião nesta
toada para manter a vibração positiva em torno de um programa brasileiro,
divertido, popular e reconfortante. Este é o nosso convite para você
compartilhar com a gente esse gosto super brasileiro, de telespectador fã
apaixonado, “torcedor-técnico”, incentivador e crítico especializado.
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