Curiosidades da novela FERA RADICAL (TV Globo, 1988)
Novela de Walter Negrão. Escrita por Walter Negrão, Luiz Carlos Fusco e Ricardo Linhares. Direção: Gonzaga Blota e Denise Saraceni. 203 capítulos.
Pesquisamos, investigamos,
confirmamos e copiamos e colamos:
- “Fera Radical” teve como
título provisório “A Intrusa”. A opinião decisiva para a opção de produzir a
novela foi dada pelo diretor de TV Daniel Filho, que sugeriu a ideia original
de Walther Negrão, em virtude da inexperiência na época do autor Alcides
Nogueira e das grandes restrições impostas pela censura estatal da época à
sinopse de “Amor Perfeito”, tida como a primeira opção, porém uma produção cara
e dispendiosa, por se tratar de uma novela de época (Fonte: jornal Folha de São Paulo, edição de 27/03/1988, página D-4).
Posteriormente, na década de 1990, a história de “Amor Perfeito” foi retomada,
então sob coordenação de Gilberto Braga, e transformada em uma nova produção,
no caso a telenovela “Força de Um Desejo” (Globo, 1999, 18h), que coincidiu de
também ser protagonizada pela atriz Malu Mader;
- A expressão-título “Fera
Radical” é uma gíria usada no mundo esportivo, entre atletas surfistas,
designando um craque do surf, um esportista vencedor, especializado nas
melhores manobras. A sugestão do nome para a novela foi feita pelo diretor de
TV Daniel Filho que ouviu e “captou” a expressão, observando o linguajar de
conversas de rua entre grupos de jovens (jornal
Folha de São Paulo, edição de 27/03/1988, página D-4);
- Muitas cenas externas de
“Fera Radical” foram gravadas em Vassouras, no interior do estado do Rio de
Janeiro. Uma das fazendas que serviram de locação também já havia ambientado os
cenários rurais de outras produções da teledramaturgia, no caso “Helena”
(telenovela da extinta TV Manchete, de 1987). Já a pensão de Lourdes (Cleide
Blota) e Robério (Older Cazarré) era, na verdade, o Retiro dos Artistas
carioca, localizado no bairro de Jacarepaguá. (Folha de São Paulo, edição de 27/03/1988, página D-4, e O Globo /
Revista da TV, edição de 5/8/2010, página 23 – Sessão Nostalgia por Tatiana
Contreiras);
- “Fera Radical” teve a
participação de vários artistas músicos e cantores convidados, entre eles, Nana
Caymmi, Leila Pinheiro, Cazuza e Sérgio Reis (site https://novelaferaradical.wixsite.com/feraradical e O
Globo / Revista da TV, edição de 5/8/2010, página 23 – Sessão Nostalgia por
Tatiana Contreiras);
- Nana Caymmi participou,
cantando numa boate, em cena ambientada no Rio de Janeiro ;
- Leila Pinheiro participou
como convidada, interpretando suas canções na Arqueria Sherwood, onde também se
apresentou o cantor Cazuza, especificamente do capítulo 74, na reinauguração da
Arqueria Sherwood. Embora tivesse a canção “Vida Fácil” como parte da trilha
sonora da novela, Cazuza cantou, nessa participação, a canção “Ideologia”;
- Sérgio Reis participou do
capítulo 134, do rodeio, onde fez seu show;
- A abertura da novela foi
criada por Hans Donner e é centrada na sinopse inicial e na figura determinada
da personagem Cláudia da Silva, com o seu figurino como condutora de moto e seu
retorno a Rio Novo. A personagem da abertura está à caminho de algo (vingança
ou justiça) e reflete plenamente o caráter de obra aberta do gênero telenovela.
A vinheta tem várias semelhanças com a de “Paraíso” (TV Globo, 1982, 18hs), de
autoria de Benedito Ruy Barbosa, dirigida pelo mesmo diretor, Gonzaga Blota, e
com locações na mesma cidade cenográfica de Vassouras. Embora a abertura
comparada tenha uma historinha de dilema ou dicotomia entre um motoqueiro em
situações de euforia, indecisão e retorno, e pilotando uma moto (Kadu
Moliterno, protagonista da novela, além de um possível dublê do ator) e uma
amazona cavalgando em um cenário paradisíaco (dublando a atriz Cristina
Mullins), contrastando com a modernidade do cenário urbano ou com a velocidade
e mobilidade do trânsito rodoviário. (Vide vídeos do YouTube);
- No exterior,
especificamente na Alemanha, a novela recebeu título diferente, no caso a
expressão em inglês “Wild Cat” (cuja tradução literal é precisamente “Gata
Selvagem”, que por coincidência e/ou ironia também este foi o nome de uma
novela mexicana exibida no Brasil pelo SBT). O nome alternativo que “Fera
Radical” recebeu na Alemanha consta nos sites www.dramahome.net/telenovelaguide.html e imdb;
- A educação universitária
em faculdades comunitárias foi novamente um dos temas abordados pela
teledramaturgia, numa novela das 18h, nos anos 2000. Foi em Coração de Estudante (TV Globo, 2002),
escrita por Emanuel Jacobina e protagonizada por Fábio Assunção, Adriana
Esteves e Helena Ranaldi.
- “Fera Radical” foi
imensamente elogiada e reconhecida pelo realismo na abordagem de questões
envolvendo conflitos agrários. Desde então, a violência no meio rural e casos
célebres de assassinatos de líderes rurais, como o seringueiro Chico Mendes e a
missionária cristã Dorothy Stang, continuaram chocando nosso país e o mundo
civilizado. Na década de 2000, com o firme objetivo de informar com coragem e
consciência cívica sobre os inúmeros casos de injustiça e impunidade ocorridos
no Brasil no meio rural, o jornalista Klester Cavalcanti escreveu e publicou o
livro “Viúvas da Terra”. Na sua pesquisa, Cavalcanti revelou que grande parte
desses casos são escamoteados ou esquecidos pela polícia e pelo Judiciário,
segundo afirmação da jornalista Solange Azevedo, em reportagem sobre a
investigação e pesquisa de campo realizada. “Entre 1985 e 2003, matadores
executaram 1.373 pessoas envolvidas em problemas agrários. Só 122 casos
chegaram à Justiça. Nove mandantes foram condenados, Nenhum está preso.” Este é
apenas o início da reportagem. A íntegra da matéria foi publicada pela revista
Época. O livro “Viúvas da Terra”, com fotos de Janduari Simões, foi publicado
pela Editora Planeta.
- Os conflitos agrários voltaram
a ser abordados pela teledramaturgia brasileira, em telenovelas e minisséries.
Na extinta TV Manchete, foram tramas importantes nas novelas Pantanal (1990) e Amazônia (1991/1992). E na Globo, foram abordados entre outras em Renascer (1993), O Rei do Gado (1996/1997), Velho
Chico (2016) e na minissérie Amazônia
– de Galvez a Chico Mendes (2007).
- Já a informática como
meio de investigação e revelação de armações e conchavos pela impunidade de
criminosos também voltou a ocorrer na teledramaturgia brasileira, bem como nas
séries internacionais, de onde se pode concluir que Fera Radical foi uma novela precursora também na abordagem deste
assunto ou temática. Na teledramaturgia, podem ser citadas a investigação
secundária envolvendo as personagem Cláudia (Leandra Leal) e Nazaré Tedesco
(Renata Sorrah) em Senhora do Destino
(2004/2005) e a trama central das personagens Nina (Débora Falabella) e
Carminha (Adriana Esteves) em Avenida
Brasil (2012); Em relação às prestigiadas séries de TV, de origem
especialmente estadunidense, podem ser citada as eletrizantes Revenge (EUA, 2011-2015; exibida no
Brasil na TV aberta, pela Globo), que conta a saga de uma filha em busca de
justiça para seu pai desaparecido; e Mr.
Robot (EUA, 2015-2019; exibida no Brasil na TV aberta pela RecordTV), sobre
os conflitos existenciais, éticos e morais de um hacker infiltrado em uma
empresa e que não está seguro da licitude de suas próprias ações e
comportamento, pois misturam-se a atividades de espionagem.
- Artistas integrantes do
elenco e equipe de produção de Fera
Radical falecidos:
Yara Amaral, Thales Pan
Chacon, Paulo Goulart, Older Cazarré, Elias Gleizer, Chica Xavier, George Otto,
Luiz Maçãs, Cláudia Magno, Rodrigo Santiago, Carlos Kroeber, Benjamim Cattan,
Lutero Luiz, Gonzaga Blota (diretor) e Paulo Ubiratan (diretor executivo);
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