PARCERIAS, REENCONTROS, COINCIDÊNCIAS E CURIOSIDADES DE A VIAGEM (Globo, 1994):

 – A telenovela A VIAGEM (Globo, 1994) é um remake (um dos mais bem sucedidos da história da teledramaturgia) de outra produção homônima e original apresentada pela televisão brasileira na década de 1970. A VIAGEM (Tupi, 1975-1976) foi uma criação original escrita por Ivani Ribeiro, em sintonia com as crenças da religião espírita kardecista e baseada no romance “E A Vida Continua”, psicografado pelo médium Chico Xavier. A primeira versão desta trama televisiva fez um razoável sucesso de público, segundo diversas fontes, e ganhou reprise em 1980, pouco tempo antes do fechamento da emissora TV Tupi. Teve como diretores Édison Braga e Atilio Riccó, e como artistas principais Eva Wilma (no papel da protagonista Diná ou Dinah, ambas as grafias circulavam na época da Tupi e no período do remake global), Altair Lima (César, que foi mudado na nova versão para Otávio Jordão), Ewerton De Castro (Alexandre), Tony Ramos (Téo – Teófilo / Teodoro na nova versão), Elaine Cristina (Lisa), Rolando Boldrin (Dr. Alberto), Irene Ravache (Estela), Suzy Camacho (Maria Lúcia, que foi “rebatizada” como Bia), Carlos Alberto Riccelli (Júnior /ou mais chamado pelo apelido Tato no remake), Haroldo Botta (Dudu) e Carmem Silva (como a mãe de Diná, Isaura / “rebatizada” de Dona Maroca, em 1994). As atrizes Eva Wilma e Irene Ravache que viveram duas irmãs e tornaram-se grandes amigas na vida real, repetiram a parceria como melhores amigas na ficção em SASSARICANDO, de Sílvio de Abreu;

– Antônio Fagundes já havia trabalhado como ator em duas outras novelas anteriores de Ivani Ribeiro, apresentadas na Tupi: MULHERES DE AREIA (versão original) e O MACHÃO;

– Maurício Mattar e Andréia Beltrão já haviam sido colegas de trabalho em PEDRA SOBRE PEDRA, de Aguinaldo Silva;

– Guilherme Fontes e Andréia Beltrão já haviam sido colegas de trabalho em MULHERES DE AREIA (remake), de Ivani Ribeiro, com colaboração de Solange Castro Neves;

– Irving São Paulo já havia trabalhado em duas novelas anteriores de Ivani Ribeiro na Globo. Sua elogiada estréia na TV foi em FINAL FELIZ, como o autista Rafael, praticamente uma reedição do personagem Tonho da Lua (Gianfrancesco Guarnieri, na primeira edição de MULHERES DE AREIA pela TV Tupi). Irving também chegou a ser cotado para reviver Tonho da Lua no remake, mas perdeu o papel para Marcos Frota. Na nova versão da Globo, Irving viveu o o personagem Zé Luiz, um estudante de medicina, irmão de Cesar (Henri Pagnoncelli), que se apaixona por Carola (Alexandra Marzo). O ator também havia atuado em outra novela da autora: O SEXO DOS ANJOS, assim como sua colega atriz Myrian Pérsia;

– Miguel Falabella, Taís de Campos, Laura Cardoso e o diretor Wolf Maia voltaram a trabalhar juntos em SALSA E MERENGUE. Nesta produção, Falabella fez sua estréia como autor de novela. Taís e Laura interpretaram personagens de destaque, porém de núcleos diferentes;

– Lucinha Lins e Fernanda Rodrigues voltaram a trabalhar juntas em novela, interpretando mãe e filha, em CORPO DOURADO, de Antõnio Calmon. A ideia inicial era a de que a atriz Nívea Maria interpretasse o papel da mãe, mas ela foi remanejada para a série A JUSTICEIRA, e assim Lucinha Lins assumiu o papel, revivendo a elogiada parceria com Fernanda;

– O ator Breno Moroni, que viveu o personagem Mascarado, teve sua estréia na televisão participando como um modelo na abertura de CHAMPAGNE, de Cassiano Gabus Mendes;

– Os cenários do plano “terreno” que compunham a maior parte das cenas da novela em ambientes internos e externos foram montados nos estúdios da empresa Herbert Richers, no bairro carioca da Tijuca e numa cidade cenográfica em Jacarepaguá, especialmente construída para a novela. Já os cenários dos planos “do além” foram aproveitados de locais com finalidades específicas. “Para fugir da imagens estereotipadas da representação do céu, a produção escolheu um campo de golfe em Nogueira, distrito de Petrópolis (RJ); o vale dos suicidas, para onde Alexandre vai depois de morto, era uma pedreira desativada em Niterói (RJ).” (Fonte: livro Dicionário da TV Globo – vol.1: Programas de Dramaturgia & Entretenimento, Jorge Zahar Ed., 2003);

– O sucesso de A VIAGEM em 1994 detonou um verdadeiro boom da literatura espírita brasileira, bem como ocasionou um aumento da procura por centros espíritas e dos públicos de peças teatrais espíritas e de programas de TV espiritualistas, “Livrarias especializadas têm registrado aumento de vendas. A Allan Kardec Editora, por exemplo, vendeu 50% a mais de livros em agosto. A Nosso Lar teve um crescimento de 20%.” (Fonte: jornal Folha de São Paulo, suplemento TV Folha, de 18/09/1994, p. 4);

– O êxito da novela também se repetiu no exterior, com a exibição da novela em Portugal e rendeu inúmeras reportagens publicadas pela imprensa internacional, entre elas uma ampla matéria publicada pelo jornal americano Los Angeles Times, em 11/12/1994, intitulada “Ratings Soar for Brazilian Soap Opera: Television: Six-night-a-week show on the nation’s largest network, TV Globo, won record ratings during its five months on the air”; a novela também foi vendida para Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Rússia, Venezuela e Uruguai. (Fonte: jornal O Globo; livro Dicionário da TV Globo – vol.1: Programas de Dramaturgia & Entretenimento, Jorge Zahar Ed., 2003; e http://www.latimes.com);

– Outras duas coincidências marcam as enormes afinidades entre SÉTIMO SENTIDO e A VIAGEM (remake): 1 -. As autoras Janete Clair e Ivani Ribeiro eram amigas de longa data e admiradoras mútuas. Inclusive Janete Clair chegou a trabalhar como radioatriz de radionovelas escritas por Ivani Ribeiro e apresentadas pela Rádio Tupi ou Difusora, segundo consta em algumas fontes; e 2 – Assim como Christiane Torloni foi a primeira atriz cogitada para viver o papel de Luana/Priscila em SÉTIMO SENTIDO (e depois foi a primeira cotada para a personagem Helenice), também no inicio da produção de A VIAGEM, Regina Duarte, a intérprete afinal escolhida e consagrada no papel de Luana/Priscila, foi a primeira opção para o papel de Diná pensada pela autora Ivani Ribeiro. (Fonte: suplemento Telejornal, jornal O Estado de São Paulo, edição de 13/03/1994, pág. 6);

– Artistas e profissionais técnicos das equipes de produção de A VIAGEM (remake de 1994) falecidos: Yara Cortes, Tânia Scher, Maria Alves, Nair Bello, Mara Manzan, Rejane Goulart, Cláudio Cavalcanti, Cláudio Mamberti, John Herbert, Irving São Paulo, Caio Junqueira, Gésio Amadeu, Eduardo Galvão, Nildo Parente e Ivani Ribeiro (autora). (Fontes: livro “Dicionário de Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro – 2ª edição”, de Antônio Leão da Silva Neto, Ed. Imprensa Oficial; site Wikipédia e outras diversas);

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