Temas de junho e julho: AMBIÇÃO E ASCENSÃO PROFISSIONAL E SOCIAL NAS NOVELAS CORPO A CORPO (1984/1985) E SELVA DE PEDRA (1986)

 Novela CORPO A CORPO

 Autor: Gilberto Braga; Colaboração: Leonor Bassères

Direção: Denis Carvalho, Jayme Monjardim e Ricardo Waddington

179 capítulos

Horário: 20h

Exibição original de 26/11/1984 a 21/06/1985

TV Globo

 

QUEM É QUEM – visto, revisto e analisado

 

Os protagonistas

 

- Eloá Pelegrini (Débora Duarte):

Engenheira civil das empresas Fraga Dantas S.A. Profissional competente, dedicada e ambiciosa. Ocupa o cargo de engenheira auxiliar, mas deseja ascender profissional e socialmente, através do seu empenho pessoal e das boas relações e oportunidades de trabalho. O autor Gilberto Braga através de Eloá pela terceira vez dava amplo destaque à emancipação feminina no mercado de trabalho. As primeiras, anteriores, talvez tenham sido a designer de jóias Luíza (Vera Fischer), de Brilhante, e a jornalista Cláudia (Glória Pires), de Louco Amor. Entre as três, no entanto, Eloá era quem mais aspirava, desejava mesmo, e estava de fato mais próxima da realização profissional, devido não apenas ao mérito, mas também por ter sido escolhida, dentro de uma criação e concepção autoral, para ascender socialmente e provocar a ruína do próprio marido, a quem ama verdadeiramente. Eloá exerce seu trabalho com dedicação, tem uma trajetória sólida na empresa em que trabalha, é indicada para o prêmio de Mulher do Ano de 1984, no setor das Engenharias. Vence e recebe a homenagem. Após a premiação, é novamente promovida para um dos cargos mais altos da sua corporação que, de certa forma, ambicionava, o de diretora geral de uma das empresas integrantes do grupo, especificamente a Fraga Dantas Internacional, com sede no Egito, para onde se muda junto com o filho, e onde receberá um altíssimo salário. Na verdade, Eloá fora vítima de um golpe arquitetado por um grupo de estelionatários infiltrados na empresa, razão pela qual fora promovida e transferida para o exterior, justamente para afastá-la de seu marido Osmar e da família Fraga Dantas, cujo patriarca, Alfredo, é o acionista majoritário, ou seja, o principal proprietário do grupo empresarial (e invariavelmente o alvo principal da extorsão planejada pela quadrilha); 

 - Osmar Pelegrini (Antônio Fagundes):

Engenheiro civil da empresa Fraga Dantas, competente e dedicado, porém com pouca ambição. Ocupa o cargo de engenheiro adjunto, porém seu passado está ligado ao de Tereza, enfermeira dedicada com quem teve um breve relacionamento na juventude, mas eles se separaram, e ela agora deseja intensamente a sua ruína moral e financeira. Não suportará ser comandado dentro da empresa pela própria mulher, que irá ascender na carreira profissional e será forçada a demiti-lo. O ator Antônio Fagundes repetiria a sina de desempregado em busca de uma nova chance numa de suas novelas seguintes, a seguinte escrita por Gilberto Braga, Vale Tudo, onde viveu Ivan, um operador de telégrafo, que batalha para apresentar suas idéias e finalmente consegue ascender socialmente, mas não por causa de seu senso de oportunidade no exercício da profissão. Muito mais porque caiu nas graças (depois nas armadilhas) da poderosa empresária Odete Roitman, que via nele o marido ideal para sua filha Heleninha, insegura e depressiva por culpa única e exclusiva da mãe;

 - Tereza Fonseca (Glória Menezes):

Enfermeira solícita e gentil. Aproxima-se da família Fraga Dantas, após a morte da matriarca Isabel e também para cuidar da recuperação do filho Cláudio, que sofrera um assalto e fora agredido com extrema violência. Na verdade, faz parte de uma quadrilha de estelionatários que pretende dar um golpe no empresário Alfredo, na empresa de sua propriedade, e também no casal Eloá e Osmar. Mais ou menos na metade da novela, descobre-se que Tereza fez parte do plano maquiavélico, que envolveu até a figura do diabo, apenas para atingir Osmar Pelegrini, o homem por quem se apaixonou na juventude dele e com quem teve a filha Heloísa, sem ele saber, Na verdade, Tereza e Osmar tiveram apenas um breve relacionamento, mas como Tereza era mais velha que Osmar vários anos, e não tinha plena confiança nele, ela mentiu, apresentando-se a ele como Marita. Após uma breve relação amorosa, Tereza engravidou, mas escondeu o fato de Osmar. Sentindo-se abandonada e desprezada pelo jovem Osmar, Tereza afastou-se dele, teve a filha Heloísa sozinha e teve muitas dificuldades financeiras, apesar do apoio da irmã Vânia. Por tudo, isso Tereza nutriu um grande ressentimento e desejo de vingança por que o seu grande amor havia escolhido Eloá para formar uma família;

 - Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana):

 O ‘velho’ e ‘bem sucedido’ empresário Alfredo Fraga Dantas gosta de se auto-definir como um self made man do mundo dos negócios. Dono da construtora Fraga Dantas, viúvo, moderno/liberal e conservador/racista ao mesmo tempo, Alfredo deu e dá tudo o que acredita ser importante aos filhos, à nora e às netas: conforto, estudo, escolas e educação financeira [ensino superior, curso de inglês, robótica e datilografia (até porque menções recorrentes a informática ainda não eram praxe na educação ou moda naquela era novelística), viagens, festas e presentes caros e muito dengo e pai e avô amoroso]. Em troca, tudo o que pede é algo bem “trivial”: escolher os cursos superiores e as profissões/ ocupações para os filhos [Engenharia Civil para os filhos homens, e qualquer para curso que preferir para a filha mulher (antes do casamento) e economia doméstica (depois)], escolher os namoros e casamentos dos filhos e da filha, arranjar os relacionamentos e casamentos deles, ter a subserviência e submissão dos empregados, enfim coisinhas básicas e comuns a todo o patriarca self made man capitalista que se preze. Sofre muito por ter enviuvado e procura uma nova companheira, que possa lhe dar amor, carinho, companheirismo e lhe ajudar a compreender e resolver os seus problemas com os filhos (e a colocá-los de volta na sua linha, claro). Como toda novela realista, no final da trama, depois de tanta procura e de ter sido o alvo preferido dos golpistas ressentidos, Alfredo finalmente reencontra sua companheira ideal: a passiva agressiva (ex-vingativa) Tereza, que também havia passado quase toda a novela “cortando um dobrado”, sofrendo por um amor platônico e pagando caro por ter se perdido em suas próprias ilusões;

 

Os protagonistas/coadjuvantes jovens:

 

- Cláudio Fraga Dantas (Marcos Paulo):

O filho rebelde do empresário Alfredo. Engenheiro civil formado, sensível e inteligente, porém dispersivo e completamente desinteressado do trabalho formal cotidiano e da lucratividade dos negócios da empresa de seu pai. Solteiro, gosta de curtir a vida e tem interesse passageiro em construir uma danceteria (ou clube disco) em Barcelona, na Espanha, ideia esta proposta e prontamente reprovada e rejeitada pelo pai. Irmão carinhoso e ídolo da estudiosa Bia e meio que rival birrento de seu outro irmão e de sua cunhada, os interesseiros e fúteis Olavo e Margarida. Apaixona-se verdadeiramente por Sônia Rangel, fato que desperta todo o racismo, o preconceito e a hipocrisia do seu pai, de outros familiares e de bajuladores preconceituosos;

 - Sônia Rangel (Zezé Motta):

Paisagista, mulher de classe média. Talentosa e muito competente em sua profissão, ainda que bastante discriminada e segregada pelos ignorantes de plantão por causa de sua cor ou raça. Grande amiga da engenheira Eloá e da decoradora Cristina, com quem estabelece freqüentes parcerias de trabalho. Eventualmente, durante uma atividade de trabalho, conhece Cláudio, com quem estabelece uma rápida empatia e amizade, que logo evolui para um romance, rejeitado e imensamente complicado pelo preconceituoso pai do rapaz. Na reta final da novela, um acidente enquanto cavalgava mudará completamente o comportamento de Alfredo. Após uma complicada cirurgia, Sônia será a única pessoa próxima que poderá livrar o empresário da morte precoce, pois somente ela tem o sangue compatível com o de Alfredo Fraga (ambos têm o mesmo tipo sangüíneo) e por isso será responsável por salvar a vida do futuro sogro. Esse gesto de solidariedade provoca a mudança repentina e profunda de Alfredo, que deixa de ser racista e armador de intrigas. Reviravolta típica de novela, meio forçada e inverossímil, mas um exemplo e tanto de humildade para o público telespectador;

 - Beatriz Fraga Dantas. Bia (Malu Mader):

Filha caçula de Alfredo e Isabel Fraga Dantas. Estudante de Comunicação Social /Jornalismo. Sofre com a morte da mãe, que acontece logo no primeiro capítulo. Aspira ser uma mulher antenada, e em sintonia com o seu tempo, independente profissional e emocionalmente. Ao contrário de seu pai que deseja que a filha case com um rapaz da alta sociedade, herdeiro e de grande prestígio social, e que se dedique exclusivamente ao lar, ou ao ambiente doméstica, além de querer que desista da ideia de “trabalhar fora” e que mude se foco na vida para aceitar a proposta de receber uma gorda mesada quando for casada, para então “cuidar de seus alfinetes”. No início, até concorda com isso, mas muito mais para sair de casa logo e ganhar alguma independência. Isso até conhecer o jovem sonhador Rafael, por que se apaixona, e com decide contrariar e enfrentar o moralismo tosco do seu pai e a hipocrisia reinante no high society. Porém, o noivado e o casamento de Bia com Zeca acabam não acontecendo, por causa de uma tomada de consciência de Bia. No início, é a única que entra em atrito e desconfia das reais intenções de Tereza. No fundo, é romântica e idealista;

 - Rafael Motta (Lauro Corona):

Jovem estudante, filho único de Guiomar. No início da novela, no primeiro capítulo reside no estado de Santa Catarina, mais precisamente na cidade de Blumenau, que sofre uma das mais severas e catastróficas enchentes. Por esta razão, ele e sua mãe, juntamente com a namorada Ângela, resolvem se mudar para o Rio de Janeiro, para recomeçar a vida num ambiente livre da insegurança devido às ameaças freqüentes de inundações e desabrigo. O jovem sonha em se tornar música profissional (sabe tocar piano), escritor ou produtor cultural. Logo ele inicia um curso básico de datilografia (seria como um curso de informática nos anos 2000~2020), onde conhece e se aproxima da meiga, consciente e engajada socialmente Beatriz, a Bia, com quem logo inicia uma grande amizade e eventualmente um romance. Também enfrentará a oposição do patriarca Alfredo Fraga Dantas, que não vê com bons olhos a aproximação da filha com um jovem de classe social inferior. É romântico e idealista;

 - Ângela Mendes Machado (Andréa Beltrão):

Namorada/noiva de Rafael no início da novela. Perde o pai numa enchente, logo no primeiro capítulo. Sozinha, sem outros familiares, conta apenas com o apoio e amparo do namorado e da futura sogra, Dona Guiomar, a quem considera como sua única família. Com o namorado Rafael mantém uma relação de conveniência, é dependente emocional e financeiramente, porém ele não a ama apaixonadamente e ela sabe disso, porém não admite e deseja mudá-lo, assim como a mãe dele, da qual é muito amiga;

 - Zeca Maciel (Caíque Ferreira):

Jovem publicitário e rico herdeiro de uma família tradicional. Segundo o pensamento do patriarca Alfredo Fraga Dantas é o “bom partido” ideal para a filha Bia ter como noivo ou marido. Homem moderno e desportista (costuma praticar corridas em parques ao ar livre e nadar), Zeca freqüenta a alta sociedade, tem um trabalho respeitado e prestigiado. Pessoa de fino trato. Trata a todos com educação e respeito. Segue meio que a filosofia de vida “quero ter um milhão de amigos”. Namora ou tem amizade com quase todas as mulheres jovens da novela, como a Alice, a Bia e, finalmente a Heloísa, com quem faz planos de se casar no último capítulo. Até com os rivais homens, ele mantém amizade e os aceita em seu círculo de amizade, como o Rafael que disputa e conquista a sua amada Beatriz;

 - Alice Gouvêia (Luiza Thomé):

Jovem sensível, tímida e insegura, muito por conta dos delírios da mãe Lúcia e da ausência do pai Amauri. Carente e frágil no seu sentimento de auto-estima, Alice é constantemente manipulada pela mãe interesseira que a quer jogar nos braços de um herdeiro ou jovem milionário, como o tido como solteirão Cláudio Fraga Dantas, para que ela então banque o estilo de vida glamouroso e as ambições maternas;

 - Heloísa Fonseca (Isabela Garcia):

Filha única de Tereza. Jovem despreocupada e desencanada. Curte a vida e as paqueras eventuais, não quer saber muito de assumir compromissos com ninguém. Muito por influência da tia cuca fresca Vânia, que equilibra com muito bom humor e sensatez a desfaçatez e a excessiva preocupação e mimos e afeto algo sufocante da mãe. Vai se estressar com a também precoce, porém engajada radical, estudiosa e consciente e defensiva Bia;

 - Ronaldo Pelegrini (Selton Mello):

Adolescente feliz, filho único e xodó dos pais Eloá e Osmar. É um guri bem cuca fresca, interessado pela vida e pelos problemas dos pais, mais ligado à mãe de quem “herdou” o gosto pelo conforto, pela riqueza e pelas modernidades. Curte jogos de vídeo-game, ‘psicologia’ moderna de casais, ideias feministas e viagens para a Disney. (Metaforicamente, Ronaldo cresceu e virou protagonista das séries ‘A Mulher Invisível’ e ‘Sessão de Terapia’);

 - Olavo Fraga Dantas (Marcelo Picchi):

Filho mais velho dos Fraga Dantas. Engenheiro civil medíocre pouco interessado na qualidade dos seus serviços, bajulador e bastante esnobe como o pai. Disputa com os irmãos (e vez ou outra, com algum desdém) a atenção e o apoio preferencial do patriarca. Prevalece-se de sua condição de pai de família “responsável” para obter vantagens e, assim como a esposa, negligencia a educação de suas filhas, deixando-as nas mãos de babás e empregadas;

 - Margarida Meirelles Fraga Dantas (Lília Cabral):

Esposa de Olavo e nora de Alfredo Fraga Dantas. Mulher fútil e aspirante a colunável. Gosta da segurança de integrar uma família da sociedade tradicional carioca e não tem ambições profissionais. Contenta-se com a sua condição de esposa-troféu dedicando-se quase 100% a sua devoção ao marido e às duas filhas crianças mimadas e mal criadas, às festas e badalações, e o que sobrar de tempo à vida doméstica. Sua grande preocupação é para que os cunhados Cláudio e Beatriz não tentem e jamais consigam “passar a perna” no seu marido, pois segundo ela é o que mais se dedica aos negócios do pai e, portanto, mereceria ser mais reconhecido e justamente privilegiado;

 - Wanderley Jardim (Cosme dos Santos):

Jovem empregado e morador da casa dos Fraga Dantas. Copeiro e arrumador, tipo um jovem mordomo, servidor fiel da família Fraga Dantas. Costuma receber muitas ordens principalmente do esnobe e podre de rico, porém gentil com os empregados, Alfredo, do filhinho de papai puxa-saco Olavo e da dondoca excêntrica e nova rica Margarida;

  

Os vilões e bandidos da trama:

 

- Nádia (Tânia Scher):

Esposa de um antigo sócio minoritário falecido das Empresas Fraga Dantas S. A. Ressentida com o não-reconhecimento de seus direitos de esposa nas empresas e inconformado com o testamento do marido que doou todas as suas ações empresariais para amigo, justamente o fundador e sócio majoritário Alfredo Fraga Dantas, ela decide desaparecer, sumir por uns tempos e arma um plano diabólico, juntamente com Rogério, Tereza e o impostor pé-de-chinelo e 171 Raul Monteiro, para destruir o testamento e assim dar um golpe milionário em Alfredo, ainda que para isso, consinta em levar adiante a ideia fixa de Tereza que é destruir o casamento feliz de Osmar e Eloá;

 - Rogério Cerqueira (Odilon Wagner):

Um dos diretores executivos da empresa Fraga Dantas. Ambicioso e invejoso, Rogério sente-se preterido e passado pra trás nos negócios da empresa Fraga Dantas. Vez por outra, gostaria de propor negociatas e receber propinas. E não concorda com as posturas éticas do empresário Alfredo. Por isso, alia-se à Nádia para falir as empresas Fraga Dantas e faturar uma grande bolada de dinheiro, como parte de seus serviços sujos nos golpes articulados pela quadrilha;

 - Raul Monteiro, o “diabo” (Flávio Galvão):

Homem misterioso que procura Eloá, reservada e particularmente, e propõe a ela um pacto, pelo qual ela finalmente iria ascender profissional e socialmente, como engenheira prestigiada, valorizada e reconhecida pela Fraga Dantas. Em troca, ela teria que, em certo momento, escolher entre o sucesso profissional e a ascensão social e a felicidade no seu casamento com um homem “que não quer melhorar de vida e que a puxa pra baixo“ (na verdade, o motivo desta estranha “cobrança” de Raul é que Osmar passou a ser um desafeto de Tereza, que queria se vingar dele, por tê-la engravidado e “abandonado” no passado. Por tudo isso, a quadrilha acabou se juntando e criando este imenso golpe, em que o início seria justamente de um pacto sinistro, uma pessoa poderia ascender pelo seu talento e capacidade profissional, mas tendo que fazer concessões ao mal, ou seja, tendo que realizar atos que levasse algo ou alguém, ou mais que isso, à ruína). Este homem misterioso, na verdade um ex corretor de imóveis fracassado e interesseiro, segue assediando Eloá, até conseguir seu objetivo dentro dos planos da quadrilha. Mas, é finalmente desmascarado pela inteligente Eloá, que vira o jogo, e de caça vira caçadora, descobre todo o esquema da quadrilha e põe todos os integrantes da quadrilha na cadeia. Porém, o marido Osmar, ainda não lhe perdoa o fato da sua amada esposa ter sido forçada a demiti-lo da Fraga Dantas. Ele decide manter a separação da mulher. Com isso, a aparentemente, o “demo” havia vencido, ainda que o ‘ator’-impostor-171 que havia estado “incorporado” estivesse no xadrez. Mas, Raul promove uma nova reviravolta na história. Acaba que o “diabo” foge misteriosamente, se reinventa e passa a assediar Tereza, propondo um novo pacto: agora a cúmplice arrependida poderia reconquistar o amor de Osmar, mas para isso teria que aceitar que o castigo de ter mexido com ‘forças poderosas’, teria que roubar o cofre da mansão de Alfredo e eliminar ‘eliminar’ (dar uma injeção letal) no empresário fundador da Fraga Dantas. O final do vilão Raul foi eletrizante, como costuma ser o desfecho de toda a boa novela de suspense;

 - Lúcia Gouveia (Joana Fomm):

Aspirante à socialite, ou colunável, como o autor Gilberto Braga costumava chamar esse pessoal meio deslumbrado, indiscreto e desejoso de exibir e ostentar a condição de integrante da alta sociedade. Vive de aparências. Diz que só come caviar, mas só arrota feijão e arroz (ou nem isso). Lúcia Gouveia foi mais uma megera inesquecível, alucinada e tresloucada interpretada pela talentosíssima e carismática Joana Fomm. A personagem tinha uma determinação hercúlea e férrea em se aproximar de gente da alta sociedade. Estava interessada num “bom casamento” lucrativo e que pudesse estabilizar todos os seus apuros e perrengues financeiros, fosse para ela ou para sua filha, a quem queria insistentemente instruir na arte de “caçar” um marido rico ou um herdeiro integrante das “melhores” famílias. Mas ela também tinha os seus dramas: não conseguia esquecer e nem deixar de pensar no seu amor pelo pai de sua única filha, e que também havia se deixado levar pela ambição e acabou preso, após se envolver num assalto a banco, sido preso e cumprido pena numa penitenciária. Após retornar ao Brasil, Lúcia acaba reencontrando seu amor de juventude, agora já em liberdade, mas ainda disposto a tudo para recomeçar uma vida simples a dois (ou a três, junto com a filha de ambos), com a paixão que unia o casal, e sem mais as sombras do passado. Mas, Lúcia continuava fascinada e determinada a ter uma vida de socialite. E toda a pessoa que, por acaso, lhe aconselhasse a perceber o amor, a história e a existência do apaixonado Amauri, era chamada de “folgada” ou “desgraçada que destruiu a minha vida”. Uma megera esnobe e desequilibrada e com um comportamento desvairado e até mesmo surreal essa Lúcia Gouveia;

 - Amauri Pelegrini (Stênio Garcia):

Irmão mais velho de Osmar. Ex-presidiário, que cumpriu sua pena e conquistou a liberdade novamente logo no início da novela. A princípio, não tem um envolvimento com a quadrilha de estelionatários que se reuniu e pretende dar um golpe milionário e levar à falência e à ruína financeira o empresário Alfredo Fraga Dantas e acabar com a união do casal Osmar e Eloá. Ele observa tudo de longe, como conselheiro de Eloá e depois também como conselheiro do irmão Osmar. Ele também não tem conhecimento do que de fato está acontecendo em relação à proposta de pacto e aos acontecimentos misteriosos que envolvem o homem misterioso que passou a se aproximar, procurar e perseguir a cunhada, com quem tem uma relação amistosa e harmoniosa. No entanto, no período em que esteve na prisão, Amauri estudou informática e criou um chip de computador no Brasil (a novela em análise foi uma das pioneiras a mencionar a então promissora mas ainda incipiente área da informática). Pela sua descoberta revolucionária, Amauri foi renumerado lá pelo final da novela com uma bolada, uma grana alta, porém, o seu trabalho pioneiro e bem sucedido, levou ao fechamento de uma pequena fábrica de componentes eletrônicos, de propriedade justamente do grupo Fraga Dantas, pois o Sr. Alfredo, como todo bom capitalista versado em logística, não brincava em serviço Racionalmente, decidiu comprar, registrar e comercializar o invento de Amauri, e lucrar muito. Por causa disso, optou por demitir centenas de operários e fechar a fábrica, que havia perdido a utilidade prática. Pelo amor e estima de sua mulher amada, Lúcia, Amauri “re-inventa” o ‘diabo’, objetivando desta vez novamente destruir o empresário Alfredo Fraga Dantas, mas desta vez tentando eliminá-lo de fato, ou seja, tentando matá-lo com uma injeção letal. Tudo porque Lúcia, a esta altura, já havia conseguido casar com homem rico e muito bem posto na sociedade brasileira. Bingo para quem chutou que o finalmente “caçado” marido rico da alpinista social era o próprio, o primeiro e único Alfredo Fraga Dantas. A escolhida para cair na nova velha teia de “pactos satânicos” foi a cúmplice arrependida da primeira tentativa frustrada de golpe, armação e mentira, a ex-vingativa, ainda apaixonada e agora cheia de remorsos e sentimentos de culpa Tereza. Porém, a farsa está com os dias contados, e Amauri não consegue escapar das investigações de seu próprio irmão, que resolve finalmente ajudar Tereza a expulsar de vez “o demônio e as suas sombras” da vida de sua ex-namorada de juventude. Quanto a Amauri, coitado, não consegue se livrar de seu “inferno psicológico” e sua escolha novamente é a de acreditar nas suas próprias ilusões;

  

Os coadjuvantes indispensáveis:


- Guiomar da Silva Motta (Heloísa Mafalda):

Mãe de Rafael. Veio de Santa Catarina, após as enchentes históricas de 1983, junto com o filho e a então noiva dele, Sonha e cobra do filho que faça um concurso público, conquiste um emprego formal e engrene numa carreira de funcionário público, com direito a estabilidade e plano de saúde. Trabalha esforçadamente e sem primeiro como atendente de bar e depois como camelô, vez por outra em locais não autorizados ou inapropriados como o pátio das empresas Fraga Dantas. Rabugenta, orgulhosa, egocêntrica e intrometida na vida do filho e dos amigos, Guiomar pode ser considerada como versão feminina de Alfredo Fraga Dantes, ou no mínimo muito parecida com (só que pobre), daí a razão dos atritos constantes com o empresário manipulador. Na verdade, Guiomar e Alfredo eram quase iguais, mas rejeitavam totalmente qualquer tentativa de comparação ou aproximação por afinidade. No caso deles, ainda que tivessem que admitir a possibilidade de terem nascido “um para ou outro”, entre os dois valia mais o ditado que afirma que “dois bicudos não se bicam”. Guiomar talvez fosse a companheira ideal para o sogro do filho, mas o velho Fraga Dantas preferia (e, por isso, vivia a procura de) mulheres submissas, sonsas ou ex-socialites colunáveis porém “domesticadas”;

 - Zoraide da Silva Cordovil (Renata Fronzi):

Tia de Rafael, irmã de Guiomar. Sonha e deseja que o sobrinho trabalhe naquilo que o fizer feliz, que no caso é alguma profissão ligada ao universo artístico e/ou cultural, pois o rapaz mostra gosto e preferência por atividades ligadas à Música e às Artes em geral. Foi atriz de teatro de revista no passado e atualmente é dona de uma pensão;

 - Vânia Fonseca (Íris Bruzzi):

Irmã de Tereza, tia de Heloísa. Mora com as duas, para quem sempre tem um ombro amigo. Maquiadora profissional, trabalha num salão de beleza. Boa conselheira e confidente leal, desconhece os planos de vingança e a participação da irmã na quadrilha criminosa. Apóia Tereza em sua jornada de redenção e lhe ajuda a reconstruir os laços familiares quando os planos e golpes da quadrilha são descobertos e vem à tona, e a irmã é presa e condenada à prisão;

 - Jalusa Cardoso Hernandez (Rosane Gofman):

Telefonista das Empresas Fraga Dantas, amiga de Eloá. Fica fascinada com os relatos sobre o homem misterioso que havia proposto um pacto com Eloá, e acaba cruzando com o próprio, com quem toma um drink num bar e depois curte uma noitada com ele numa boate. Supersticiosa, seu interesse é justamente o de encontrar um homem misterioso como o que ouviu falar, para ela mesma selar o seu próprio “pacto” e, quem sabe, resolver seus problemas de taxas de condomínio atrasadas;

 - Shirley Neves (Yaçanã Martins):

Empregada de Eloá e Osmar. Imensamente dedicada afetivamente ao casal e ao filho deles, o adolescente Ronaldo, que ajudou a criar desde bebê;

 - Cristina Werneck (Mila Moreira):

Decoradora de interiores, antenada com a moda, amiga leal, filha de família rica, mulher chique, elegante, sofisticada, trabalhadora e super do bem. “Se vira nos 30” para manter sua independência financeira. (Atualmente poderia ser uma decoradora de lives);

 - Victor (José de Abreu):

Engenheiro civil amigo de Eloá, a quem tenta conquistá-la, mas só consegue amizade mesmo, pois Eloá não corresponde e continua apaixonada por Osmar. Victor então conhece Ângela, a ex-noiva de Rafael. Os dois se apaixonam e terminam a novela juntos;

 - Jurema Nascimento Rangel (Ruth de Souza):

Mãe de Sônia e Laura; casada com Antônio Rangel, de quem fica viúva logo nos capítulos iniciais da novela. Compreensiva, apóia a filha em suas decisões e em sua luta para vencer o preconceito racial da sociedade;

 - Antônio Rangel (Waldir Onofre):

Pai de Sônia e Laura, marido de Jurema. Marceneiro de talento, tem uma oficina em casa. Pessoa doce e muito dedicada à família. aos amigos e ao trabalho. Morre num acidente de avião no capítulo 18;

 - Virgínia Mercier (Duse Nacaratti):

Secretária e governanta da casa de Zeca, por quem tem um carinho ‘maternal’ meio jocastiano.

 - Palmira Cantanhede (Maria Helena Pader):

Ex-secretária da fábrica de computadores das Empresas Fraga Dantas. Mora na pensão de Zoraide e tem um filho de 4 anos;

 - Odete Paiva Manhães (Zeny Pereira):

Cozinheira da casa de Alfredo. Tem uma relação muito afetuosa com Cláudio e Bia, para os quais de certa forma substitui a mãe. Simpática, doce e despachada, vive às turras com o jovem Wanderley, a quem considera como filho. E falando nisso, ao final da história, envolve-se amorosamente com o pai do rapaz, Floriano;

 - César (Waldir Sant’Anna): Motorista de Alfredo;

- Sílvia Abrantes (Cinira Camargo): Secretária de Rogério;

- Laura Rangel (Elaine Neves): Irmã de Sônia, filha caçula de Jurema e Onofre;

- Isabel (Giovanna Pieck): Filha de Margarida e Olavo. Neta mais velha de Alfredo Fraga Dantas. Travessa e arteira, mimada e meio malcriada pelos pais, uma verdadeira ‘diabinha’;

- Margarete (Daphné Bastos): Filha de Margarida e Olavo. Neta caçula de Alfredo Fraga Dantas. Travessa e arteira, mimada e meio malcriada pelos pais, uma verdadeira ‘diabinha’;

- Floriano Jardim (Clementino Kelé): Pai de Wanderlei. Taxista experiente e dedicado. Amigo de Alfredo. Torna-se pequeno empresário bem sucedido e compra uma frota de táxi. Casa-se com Jurema, tempos após a viuvez dela. 

Pequenos papéis para participações especialíssimas:

 

- Isabel Fraga Dantas (Joyce Oliveira): Matriarca da família Fraga Dantas. Morre no primeiro capítulo, após uma longa enfermidade. Aparece também nas lembranças de vários personagens, principalmente da filha Bia e da enfermeira Tereza;

- Laís Monfort (Bia Seidl): Namorada de Zeca Maciel nos capítulos iniciais. Termina o romance com o rapaz por uma razão banal;

- Andréia Feitosa (Cleyde Blota): Esposa do diretor da fábrica falida de componentes eletrônicos das Empresas Fraga Dantas. Procura a jovem repórter Bia, justamente no dia do pretenso noivado da moça com Zeca, e revela os verdadeiros motivos ou razões por trás do fechamento da fábrica, que demitiu centenas de operários;

- Murilo Maciel (Paulo Betti): Irmão de Zeca Maciel. Entrou na história apenas para substituir temporariamente um espaço vago do ator Caíque Ferreira, que ficou impedido de trabalhar por alguns meses devido a uma pneumonia. A função dele na novela foi basicamente a de dialogar e ser um interlocutor com a personagem Heloísa, que ao final da novela, termina com Zeca, pois o ator pôde retornar às gravações e concluir a participação de seu personagem;

- Márcia (Ilka Soares): Amiga de Cristina;

- Darcy (José Dumont): Mestre de obras, capataz do grupo de Osmar na construtora das Empresas Fraga Dantas;

- ‘vizinha amiga de Eloá’ (Vera Holtz): A atriz Vera Holtz tem uma participação não creditada como uma vizinha amiga de Eloá, no capítulo 43. Foi possivelmente uma das primeiras cenas desta atriz de grande talento e destaque nas telenovelas, que estreou oficialmente em 1989, como coadjuvante em Que Rei Sou Eu?;

- Machado (Turíbio Ruiz): pai de Ângela. Morre no primeiro capítulo, vítima da enchente de Blumenau de 1983;

- William Maciel (Newton Prado): pai de Zeca e Murilo;

- Hermengharda (Ida Gomes): enfermeira de Alfredo. Aparece na novela apenas na reta final, na última semana;

- Neide (Cidinha Milan);

- Orlando (João Paulo Adour);

- Olga (Ana Lúcia Torre): viúva de um sócio da Fraga Dantas, que morre em acidente de avião, logo no início da novela;

- Monique Evans: Uma das modelos brasileiras mais famosas da época e apresentadora do programa global Domingo Bingo, exibido em 1983, Monique Evans participa de Corpo a Corpo como modelos contratada pela produtora de vídeos de Zeca Maciel para uma campanha publicitária;

- Maria Cláudia: a atriz participa como ela mesma apresentando o prêmio de Mulher do Ano de 1984;

- Tony Ferreira: o ator participa como ele mesmo apresentando o prêmio de Mulher do Ano de 1984;

- Marina Colasanti: a escritora participa como ela mesma recebendo o prêmio de Mulher do Ano de 1984 na categoria Literatura;

- Zélia Gattai e Fafá de Belém: são citadas como elas mesmas como indicadas ou premiadas ao prêmio de Mulher do Ano de 1984 nas categorias Literatura (Ficção) e Música;

 

Fontes de consulta: Jornal ZERO HORA, suplemento Revista da TV, de 25/11/1984, pág. 8; Jornal O GLOBO, suplemento Segundo Caderno (várias edições); htttp://novelasdobrasil.com/corpo-a-corpo-resumo/#resumo_completo , site www.teledramaturgia.com.br e outras

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