CORPO A CORPO E O EMBATE ELETRIZANTE ENTRE O BEM E O MAL

 Uma telenovela sofisticada, popular e incendiária, apresentada no horário nobre pela TV Globo, numa única ocasião, no período entre 1984 e 1985. Assim pode ser qualificada a incomum Corpo a Corpo, de autoria de Gilberto Braga, colaboração de Leonor Bassères e direção de Denis Carvalho, Ricardo Waddington e Jayme Monjardim.

 A trama que acompanhou o movimento das Diretas Já apostou alto no suspense e no drama humano do conflito por igualdade de gênero e reconhecimento da força feminina no mercado e nas relações de trabalho. E mais: de forma bastante precursora e absolutamente desassombrada trouxe para a luz da teledramaturgia, e com plena empatia, a questão do preconceito racial, com a relação romântica de um casal interracial, bem como as suas interações familiares e sociais, entrecho que mobilizou ainda mais o público e também marcou o sucesso da novela. Quem teve a felicidade e o prazer de assistir na época, certamente não esquece o altíssimo impacto alcançado pelo folhetim, que é considerado um dos melhores textos do campeão de audiência Gilberto Braga.

 A música de abertura da novela, “Tão beata, tão à toa”, de Marina Lima, já dava o tom autoconfiante ou de empoderamento ao universo feminino típico da teledramaturgia, mesclando um rock rebelde autêntico com imagens sensuais de um casal vestido em trajes de gala, e com destaques para as cores preto, azul e principalmente ao vermelho-‘paixão’ (associado especificamente ao universo feminino): “E no calor dessa magia, eu sou fera, uh, fico bela ... Espelho, espelho meu, existe alguém mais louca do que eu? ...”;

 Paradoxalmente, sob alguns aspectos, e naturalmente, sob outros, a trama se mantém incrivelmente atual, mais de 36 anos depois. Pode-se afirmar mesmo, com um alto grau de segurança, que é até mais ousada e contundente do que muitas novelas contemporâneas tidas como novas referências do realismo na teledramaturgia e antenadas com as questões sociais do momento, produzidas  em imagem digital e 100% livres de mecanismos esdrúxulos de censura estatal, mas que ainda são tão melodramática quanto dizem ter sido O Direito de Nascer ou outras da era padronizada por precursores como a autora Glória Magadan. Pode-se dizer também, sem nenhuma dúvida, que a trajetória reluzente de Corpo a Corpo preconizou o sucesso avassalador de Vale Tudo. Diz o ditado popular que “nem tudo o que reluz é ouro”, mas nesse caso, a telenovela global, que é talvez a mais enigmática da história, a parte do famoso clichê do “quem matou?” e até o surgimento de A Favorita, de João Emanoel Carneiro, em 2008/2009, representa a confirmação plena da característica resplandecente do metal que é referência de valor econômico. A criação televisão de Gilberto Braga de 1984/1985 é considerada por grande parte do público de telenovelas como “ouro puro” ou pelo menos “uma jóia exuberante”.

 Infelizmente, no entanto, Corpo a Corpo foi subestimada pela memória de muitos diretores de logística e programadores de TV que pouco fizeram para preservar a qualidade atemporal de uma das tramas mais folhetinescas e plenas de reviravoltas de Gilberto Braga. Com o veto ou sinal vermelho para diversas chances de reprise, algumas pessoas talvez indiretamente acabaram impedindo que esta novela obtivesse uma consagradora popularização e um reconhecimento mais perene e justo na cultura televisiva nacional.

 Não seria nenhuma má ideia, nem um passo em falso, e nem um sinal de desprestígio, se o canal Viva algum dia pudesse reprisar ao menos a versão internacional de Corpo a Corpo, da mesma forma que fez com a icônica/inesquecível Dancin’ Days e com a super produzida Terra Nostra. Mas, esta é apenas uma hipótese remota e o meu desejo expresso como telespectador hiper noveleiro e nostálgico.

 Todo esse preâmbulo opinativo e especulativo acaba sendo necessário antes de se iniciar a presente análise (seja ela breve ou detalhada) da novela em foco, considerando que Corpo a Corpo, (de forma similar ao que ocorre com Louco Amor, Sétimo Sentido, Eu Prometo, Elas por Elas e outras), só está presente para grande parte dos novos telespectadores e fãs, através de alguns poucos capítulos disponibilizados no YouTube e outros tantos vídeos curtos de cenas avulsas e icônicas da trama de Gilberto Braga. Conta-se ainda com o material fonográfico da época (LPs nacional e internacional) e a memória afetiva pessoal, bem como diversas entrevistas e depoimentos (dos artistas participantes envolvidos na produção) reportados pela imprensa e pela mídia televisiva brasileiras.

 Por essa razão, qualquer texto referente à Corpo a Corpo acaba sendo também uma espécie de exercício de arqueologia. O mesmo acontece em relação a outras tramas “engavetadas” da década de 1980, mas que por um motivo ou por outro permanecem muito mais datadas ou pouco divulgadas. Além disso, muitas são de fato incongruentes e incompatíveis com as expectativas e os critérios de aceitação “fechados” de parte do público atual, formado em grande parte por adeptos de redes sociais que preferem novelas com mais ações e conflitos contemporâneos e menos situações que envolvam costumes algo diferentes ou ultrapassados ou tecnologias tidas hoje como obsoletas.

 Pode-se citar o conceito de invasão de privacidade, que, a luz do século XXI, causaria estranheza ou daria margem para reconsiderações. Poderia se atribuir, por exemplo, um caráter policial a uma despercebida e não comentada (na época) atitude invasiva numa única cena do primeiro capítulo da novela Eu Prometo, de Janete Clair, em que ocorre o fato de uma pessoa não autorizada fotografar a intimidade de outra pessoa,

 Uma análise de Corpo a Corpo, no entanto, pode se feita modo mais amplo, visto que, além do trabalho “arqueológico” de pesquisa, pode-se ainda perceber um incrível espírito de vanguarda do autor, e uma conseqüente qualidade e atemporalidade do seu texto. Vamos à análise:

 

Eloá (vivida com brilhantismo por Débora Duarte, numa fase de auge do seu talento e maturidade artística) é certamente a personagem que mais personifica a discussão e o conflito pela igualdade de gênero no mundo corporativo ligado à profissão ou à área de Engenharia Civil (visto como uma área de trabalho onde existia na época um predomínio masculino, ao menos na questão estatística. E talvez isso seja presente até hoje), na teledramaturgia brasileira.

 Eloá tem a ambição e o desejo de ascensão social como uma de suas características ou qualidades. (No entanto, assim como o personagem Osmar, seu marido, e o empresário Alfredo Fraga Dantas, ela também é vítima de um esquema criminoso de estelionato, orquestrado por uma quadrilha de mafiosos golpistas). Talvez a característica de ser uma pessoa ambiciosa, para a sociedade brasileira em 1984, era tida como um aspecto comportamental aceitável, desejável e de certa forma estimulado.

 Pode-se refletir sobre essa característica de personalidade, tanto hoje como na época, com um relativo distanciamento. Chega-se então ao entendimento de que a ambição profissional é um estado de espírito reconhecido na sociedade e super valorizado ou subestimado numa pessoa, dependendo dos conceitos e visões de mundo de determinada época.

 Na época, muito provavelmente, havia talvez uma redescoberta difundida da ambição como uma qualidade e não mais como um defeito. No mesmo ano, por exemplo, a cantora Madonna também lançou o álbum Like a Virgin, que apresentou a canção (juntamente com o videoclipe) de grande sucesso “Material Girl”, rapidamente conquistando as paradas musicais no mundo todo. A música e o clipe ostentavam a feminilidade da cantora, sua ambição e sua vaidade, e um gosto algo exacerbado pela estética sexista, pelo dinheiro e pela riqueza material.

 Mais tarde, a cantora tentou explicar ao público, em entrevistas, que através da música e do clipe, estava tentando ser irônica (ou auto irônica) sobre sua relação com o dinheiro e a vaidade. Mas, era tarde demais. O público havia “comprado” o seu desejo de poder, de dinheiro e de ascensão social a sério e era assim que a maioria passou a entender a música em questão...

 Outra questão interessante em Corpo a Corpo parece ser a composição da trama como um retrato muito bem urdido de conceitos e preconceitos sexuais comuns na época. Trata-se da repetição de uma situação fictícia de premiação de personagem feminina. No caso, no último capítulo Bia (Malu Mader, em seu segundo papel nas novelas) revive em parte uma situação de exposição vivida anteriormente por Eloá. Ela recebe um prêmio pelo destaque que conquistou pelo seu trabalho profissional como jornalista. Recém-formada, Bia esmerou-se na pesquisa e na redação de uma dissertação sobre o cinema e a cultura brasileira, vencendo uma premiação para a qual concorreu também o trabalho apresentado pelo seu companheiro Rafael (Lauro Corona).

 Na cena em questão, Rafael, exatamente como havia acontecido com Osmar (Antônio Fagundes), invade o palco, interrompe a premiação, dirige-se ao microfone, e após alguns instantes de suspense, (ao contrário de Osmar) elogia efusivamente a sua esposa. Contudo, ficou uma sensação no ar de ameaça de comportamento inoportuno, ou no mínimo condescendente com a cultura machista marcante daquela geração, como se o discurso masculino tivesse de dar a última palavra, para que a ficção também pudesse “ajustar-se” aos novos pensamentos. Penso que aquela cena bem fraquinha e até meio constrangedora. E o que empolgava o público certamente não eram as cenas pomposas de premiações, mas sim as cenas íntimas e delicadas entre o casal Bia e Rafael, seu encontro e suas histórias felizes, a deles como casal romântico, e todas as outras relacionadas com os demais personagens. Fora isso, foi talvez um registro preciso de uma mudança comportamental de uma nova geração.

 Corrobora para esta hipótese o fato de que os personagens Bia e Rafael tenham sido talvez o primeiro casal romântico jovem de destaque na teledramaturgia brasileira que abre mão livremente e por opção mútua de celebrar publicamente um casamento civil e religioso, configurando talvez um dos primeiros casos de união estável entre dois personagens de telenovelas. Escrevo talvez porque, na verdade, o casal viveu as duas experiências, ou seja, após certa altura o casal realizou o casamento civil, embora ele tenha ocorrido num cartório de forma bastante íntima, sem a realização de uma festa ou de uma grande comemoração, nem mesmo com os familiares, uma vez que boa parte deles também era contrária à união dos personagens em certos momentos da trama. Mas, no caso de Bia e Rafael a união estável entre o casal (no período anterior ao casamento civil) foi uma decisão pessoal consensual entre os dois personagens e nada baseada em convenções sociais ou religiosas.

 Antes de Bia e Rafael, o casamento religioso entre jovens era mais do que uma praxe quase uma regra para o final das novelas globais, especialmente as mais sérias ou românticas, como as das 8 ou as das 6. E geralmente católico, como o de Débora (Beth Goulart) e Caê (Lauro Corona) em Baila Comigo, o de Carla (Beth Goulart) e Lipe (Lauro Corona) em Louco Amor. E não raro duplos: como os de Zuca (Glória Pires) e Luís (Fábio Jr.) e de Belinha (Simone Carvalho) e Neco (Kadu Moliterno) em Cabocla, e os de Sônia (Elizabeth Savala) e Paulo (David Cardoso) e de Joyce (Lídia Brondi) e Carlos (Edson Celulari) em O Homem Proibido.

 Embora duas exceções marcantes tenham ocorrido em novelas anteriores. Com os personagens Vanessa (Sura Berditchevsky) e Otávio (Paulo Figueiredo), em Marron Glacé, após Vanessa ter abandonado o noivo Fábio (Jorge Botelho) no altar de uma igreja. E com Maria Rita (Cristina Müllins) e José Eleutério (Kadu Moliterno) em Paraíso, após Maria Rita ter fugido e deixado Otávio (Mário Cardoso) também esperando em vão no altar improvisado na fazenda da família, para uma cerimônia religiosa que não aconteceu.

 Já na novela Corpo a Corpo, tudo se tratou de abordagem sobre a questão da união civil estável foi mais livre e civilizado. Os familiares intrometidos e interessados em casamentos arranjados foram logo contestados e excluídos pelo casal jovem e apaixonado da novela. A mocinha simplesmente não aceitava o destino traçado para sua vida afetiva por familiares para a preservação de sua casta social. Definitivamente, Bia não desejava viver no “castelo” sonhado por seu pai. Ela já desistia do casamento tradicional e arranjado no capítulo . justamente no dia de seu pretenso noivado. Para a sorte dela e de Rafael. Como a protagonista da novela Eloá, Bia foi uma das grandes personagens feministas da teledramaturgia. Mas, também não “fechava” com o sexismo, o feminismo de viés revanchista e o matriarcalismo. Ela era uma das personagens mais contestadoras de costumes da novela. Tanto que foi a mais personagens mais agregadoras de soluções, inteligente e perspicaz em perceber as armações e tentativas de aproximação por interesse da vingativa Tereza e da alpinista social Lúcia Gouveia.

 A questão do (falso) diabo por mais polêmica e controversa que possa ter sido na novela, e também por ser propensa à reflexão séria de fundo religioso ou ao folclore que existe na consciência ou no inconsciente coletivo da humanidade, acabou motivando o público a fazer um questionamento interessante e sempre muito saudável: é possível praticar o bem e ser bem sucedido financeiramente sem nunca ter que compactuar com o mal ou com os vilões? O assunto foi parar até no programa Som Brasil, apresentado na época aos domingos pelo grande ator e diretor Lima Duarte, que também é o pai adotivo de Débora Duarte, umas das principais protagonistas da novela. O ator que se preparava para reviver o famoso coronel Sinhozinho Malta (em Roque Santeiro, 1985) se rendeu em elogios ao talento merecedor da filha e à criatividade da produção e do elenco global e qualidade artística do texto de Gilberto e Leonor.

 Corpo a Corpo representou para a teledramaturgia um esforço excepcional, criativo e vigoroso para a teledramaturgia brasileira. Reconstituiu uma enchente numa cidade ou inundação numa residência no seu primeiro, reproduzindo na ficção as enchentes reais, ocorridas no ano anterior em Blumenau (SC). Na trama, as famílias de Rafael e Ângela eras moradoras do município catarinense que sofreu com as intempéries climáticas em 1983, e após se mudam para o Rio de Janeiro, para a casa de Zoraide, irmã de Guiomar e tia de Rafael, tornando-se vizinhos e amigos de Eloá e Osmar. Apresentou também uma história moderna, urbana, movimentada e um microcosmo da sociedade brasileira, com todas as suas qualidades, seus defeitos, suas estruturas de estratificação social e do mercado de trabalho, seus conceitos e preconceitos. Ainda apresentou o setor da construção civil e o cotidiano de uma grande empresa deste setor e desde então a sua relação intensa, parceira, e até mesmo na ficção por vezes promíscua, com os círculos de poder político e econômico.

 Finalmente, é impossível falar de Corpo a Corpo sem mencionar a lucidez do autor na abordagem de valores como a honestidade, a empatia, a amizade, a feminilidade e a masculinidade; a valorização de todas as raças e idades, desde a infância até a velhice; o respeito a todos os credos religiosos. A partir de uma intrincada e lúdica novela das 8, a TV Globo, o autor Gilberto Braga e todos os artistas e técnicos que trabalharam nesta produção da teledramaturgia, transmitiram valores éticos e morais e especialmente mostraram uma história dinâmica e cheia de reviravoltas, onde as toxinas e os “demônios”, não eram simplesmente figuras representativas como os tradicionais vilões de novelas, mas sim o preconceito social, o racismo estrutural, o machismo estrutural, o abuso do poder econômico, a imobilidade institucional/institucionalizada de certas castas sociais e outros entraves e forças catalisadoras de conflitos e perversões sociais, que só uma nova e atenta reapresentação integral da novela poderia permitir.

 O fato é que Corpo a Corpo deixou também um legado importantíssimo na história da teledramaturgia, que teve reflexos certamente em outras histórias eletrizantes e que também representaram sopros de lucidez, renovação e esperança para o telespectador como em Vale Tudo e em Paraíso Tropical, para ficar apenas com dois outros exemplos de obras bem sucedidas do mesmo autor.

 

REVIRAVOLTAS E PONTOS DE VIRADA 

 

Como toda boa novela de suspense, Corpo a Corpo não teve apenas uma, mas várias reviravoltas. Na verdade, teve pelo menos cinco pontos de virada que fizeram o público vibrar e torcer pelos desfechos surpreendentes. Vamos a eles:

 - CAPÍTULOS 18 A 23: O primeiro foi quando o homem misterioso, o suposto diabo (interpretado por Flávio Galvão) começa a cobrar de Eloá parte do pagamento pelo “pacto” para a ascensão social da engenheira, que era o motivo único para o constante assédio do sujeito. O pedido feito á Eloá neste suposto pacto, para que o caminho do sucesso profissional dela fosse aberto era simplesmente o de permitir a demissão do marido dela, Osmar, da empresa em que ambos trabalhavam e ela acabaria por ser promovida a uma das diretoras. Após ter sido ludibriada e enganada por uma quadrilha, Eloá finalmente cede ao conselho do homem misterioso e do colega Rogério (Odilon Wagner) por acreditar estar fazendo a coisa certa, já que ambos (ela e o marido) haviam sofrido sabotagem (uma tremenda “puxada de tapete”), mas ela não sabia disso. Ou seja, Eloá achava que Osmar era um mau funcionário, por acreditar que ele não tinha competência para garantir contratos e oportunidades de trabalho e se afastar dos aproveitadores. Acaba que a demissão de Osmar ainda tem como conseqüência a separação do casal Eloá e Osmar. Passada esta reviravolta, Elóa é convidada, reluta um pouco mas acabas aceitando o cargo de diretora geral da filial da empresa Fraga Dantas no Egito, ocasionando assim a partida dela com filho Ronaldo para o país estrangeiro;

 - CAPÍTULOS 68 A 69: O segundo foi quando Eloá, em viagem de descanso, em Madri, na Espanha, vê o mesmo homem misterioso na rua, ao sair de um prédio, e decide encará-lo, persegui-lo e investigá-lo. Resolve voltar ao Brasil e denunciá-lo à polícia. Ao mesmo tempo o suposto diabo, também volta ao Brasil e se dá mal, pois é encontrado e preso pela polícia;

 - CAPÍTULOS 77 A 83: O terceiro foi quando a quadrilha é desmascarada (graças especialmente à perspicácia e à investigação de Bia, a filha caçula de Alfredo e repórter destemida, para desvendar as armações de Nádia, ajudada por Tereza, que tinha a intenção de roubar todo o controle acionário das empresas Fraga Dantas para si), e todos os seus membros precisam fugir ou assumir as responsabilidades pelos seus crimes. Acaba que Nádia e Rogério, e Raul (aparentemente), acabam morrendo em acidentes graves em tentativas de fuga. Já a cúmplice Tereza é presa, julgada e condenada e cumpre pena de cadeia por cerca de um ano;

 - CAPÍTULOS 121 A 122: No quarto ponto de virada, a figura do “diabo” (o mesmo homem encarnado no corpo do farsante “falecido” Raul Monteiro) reaparece para Tereza, que a esta altura já está solta por ter cumprido a sua pena. Com o pretexto de compreender e propor ajuda à ex-comparsa para que ela reconstrua sua vida e reconquiste seus afetos, o “diabo” agora passa a assediar Tereza. Nessa fase da novela e dos seus personagens, pode-se dizer que “o feitiço vira contra a feiticeira”. As propostas de “pactos” recomeçam, tendo agora como alvo a própria Tereza, umas das mentoras intelectuais do plano criminoso anterior;

 - CAPÍTULOS 178 A 179: Finalmente, o quinto e último ponto de virada inicia no final do penúltimo capítulo, quando Osmar finalmente descobre o esconderijo onde o suposto “diabo” se esconde e maloca os seus “planos diabólicos”. No início do capítulo final, descobre-se que o mentor do “novo plano ‘diabólico’” é Amaury, justamente o irmão de Osmar, e que o objetivo principal remanejado é o mesmo da primeira vez: destruir a vida (mas desta vez literalmente) do rico, ex-manipulador  e ainda poderoso tentando se redimir Alfredo Fraga Dantas. Mas agora, o desfecho é um “salve-se quem puder”. Amaury e Raul tentam fugir, mas desta vez nenhum deles tem sorte, bem como a musa inspiradora de Amaury, a ex-alpinista social Lúcia Gouveia ainda tentando dar a volta por cima em algum otário de plantão. Eles acabam se envolvendo também em acidentes graves: queda de edifício e incêndio em local fechado. Tudo por não quererem assumir suas responsabilidades por uma série de crimes e obsessões, enfrentar julgamentos e terem que pagar por seus erros. Em outras palavras, por não quererem prestar contas aos agentes da Lei ou à Justiça;

 Estes foram alguns dos principais pontos de virada na trama de Corpo a Corpo, promovidos pelos vilões da novela. Quanto aos mocinhos e mocinhas, todos os acontecimentos foram mais ponderados como geralmente acontece nas melhores novelas. Boa parte deles também compõe esta análise e já foi comentário no texto anterior e nos parágrafos acima.

 Cabe ainda lembra e comentar que o último capítulo de Corpo a Corpo foi inesquecível, pois o autor e o diretor Denis Carvalho, seguindo uma tradição bem interessante e vibrante, incluíram após a cena final, a apresentação de todo o elenco da novela (exceto os figurantes) com fotos congeladas e com os respectivos nomes dos artistas, inclusive dos integrantes da equipe técnica principal, um destaque extra que era mais frequente em muitas produções de novelas e minisséries da era das “cenas do próximo capítulo”. Refiro-me uma moda muito agradável de assistir, em minha opinião e segundo boa parte do público, cultivada bastante pelo próprio Gilberto Braga. Tanto que eles resgataram novamente esse recurso em Celebridade, em 2004, na ocasião mais recente. Por tudo isso, na minha avaliação, eles finalizaram um trabalho artístico mantendo sempre o alto nível e com um fecho de ouro. Influenciaram costumes e propuseram reflexões importantes e pertinentes ao Brasil da época. E conquistaram fãs noveleiros em todo o país.

 

Fontes de consulta: htttp://novelasdobrasil.com/corpo-a-corpo-resumo/#resumo_completo , site www.teledramaturgia.com.br e outras

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