PALAVRAS E EXPRESSÕES POPULARIZADAS PELA TELEDRAMATURGIA E PELA TELEVISÃO BRASILEIRA:
Antes de darmos início a mais um duo de novelas, segue uma lista curiosa de neologismos, gírias e estrangeirismos; e de onde ou de qual atração da TV os brasileiros mais ouviram ou compreenderam o significado, e, após, assimilaram as expressões ao seu vocabulário cotidiano:
- Bicão – BETO ROCKFELLER (Tupi): pessoa que entra
ou participa de uma festa ou evento sem ser convidado. Não por acaso um filme
hollywoodiano com uma trama semelhante, “Wedding Crashers”, protagonizado por
Owen Wilson e Vince Vaughn, em 2005, recebeu como tradução de título no Brasil “Penetras
Bons de Bico”;
- Careta – DANCIN’ DAYS, TRANSAS E CARETAS
(Globo); Conservador, antiquado, tradicional ou old fashion (à moda antiga); O termo não mudou seu significado
desde que foi popularizado pela teledramaturgia, pelo cinema e pela literatura;
- Papo furado / Papo firme – programa JOVEM
GUARDA (Record): Conversa fiada / Conversa sincera. Provavelmente expressões
muito faladas nas telenovelas das décadas de 1960 e 1970;
- “Papo reto”, “Se liga!”, “Tá ligado?” –
MALHAÇÃO e A FORÇA DO QUERER (Globo): “Conversa sincera”, “Presta atenção”, “Tá
atento?”, gírias bastante identificadas com as gerações a partir da década de
1990;
- “Com certeza” – programa SEM CENSURA, com
Leda Nagle (TV Brasil), Maria Bethânia, programa CASSETA E PLANETA (Globo): Significa:
“Sim, absolutamente sim”. Forma reiterativa e automática de confirmar e
enfatizar algo e ficar bem no discurso ou na gravação de entrevista, ou na
fita, como se dizia na era do vídeo-tape. Lembrando que havia uma variante bem
feminina nos programas de entrevistas de celebridades em eventos sociais da
época. Nesse caso, as mulheres que tinham cabelos compridos, ao ouvir uma
pergunta óbvia, podiam balançar a cabeleira bem ao estilo da série “As
Panteras” e fulminar para o entrevistador um “Com certeza.” lacrador e certeiro;
- “Fala sério!” – programa ESCOLINHA DO
PROFESSOR RAIMUNDO, Heloísa Perissé, Fernanda Souza, programa CASSETA E PLANETA
(Globo): Signifca: “Não. De jeito nenhum”. Além disso, é uma expressão retórica
usada para refutar alguma hipótese ou conversa da qual a pessoa que responde
quer manter distância;
Palavras originárias de línguas africanas:
- Curumim – A GATA COMEU (Globo): criança, na
língua tupi. E como as crianças da novela gostavam tanto, mas tanto, de
aprender palavras e conceitos novos com o professor Fábio, criam um clube
recreativo infantil, o inesquecível “Clube dos Curumins”;
- Xerimbabo – filme TAINÁ (programa SESSÃO DA
TARDE, Globo): animal de estimação, no idioma tupi. Muita gente que viu o filme
ficou até com vontade de adotar por conta de tanta fofura animal num único
filme.
- Mi-mi-mi – Reportagens e matérias com
vários políticos nos mais diversos programas de entrevistas e telejornais
(várias emissoras de TV) e programa MAIS VOCÊ (Globo): No sentido acultura e
falso da palavra, significa algo insignificante sem importância, um simples
detalhe incômodo que explicaria motivos para alguém ou alguns quererem “fazer
tempestade em copo d’água”. Talvez por causa da sonoridade onomatopaica da
expressão. Mas isso também não justifica a tentativa reiterada de falseamento
da tradução. No sentido real, no entanto, a palavra significa: Problema grave, situação
queixosa ou injustiça. Como disse a apresentadora Ana Maria Braga, todo
mi-mi-mi é considerado algo sem nenhuma importância, contanto que não lhe
afete, e sim somente aos outros. Mas, e sempre tem um ‘mas’, no momento que
afeta qualquer pessoa, seja eu ou você, então deixa de ser mi-mi-mi na
ideologia e aculturação do homem/mulher branco/ e passa a ser: um PROBLEMÃO. Queridos
leitores internautas, entenderam bem a origem, o processo de falsificação
lingüística e de desrespeito com a língua tupi e o estigma cultural que essa
palavra, que foi “embranquecida” ao longo dos anos recentes, incorporou?
- Araponga – ARAPONGA: Ave que grita, segundo
a língua tupi. (Fonte: revista Capricho). Desde a década de 1970, ou antes
ainda, tornou-se gíria para espião atrapalhado, munido de aparatos com todo o
tipo de gambiarras, ao estilo tido como tupiniquim, ou também à moda do célebre
Agente 86 da série americana de
televisão;
- Arapuca – O SALVADOR DA PÁTRIA: Na língua
tupi, “Armadilha para pássaros”;
- Caboclo(a) – CABOCLA, O SALVADOR DA PÁTRIA:
mestiço de branco com índio, na tradução do vocábulo de origem da língua tupi;
- Caipira – ÉRAMOS SEIS (Tupi / SBT / Globo),
ÊTA MUNDO BOM! (Globo): Segundo a língua tupi, pessoa rústica, envergonhada,
tímida. Mais ou menos como a Olga de Éramos
Seis, ou o Candinho de Êta Mundo Bom!,
ou ainda o Zezinho de Salve-se quem
Puder, para citar alguns dos exemplos mais lembrados;
- Piranha – PANTANAL (Manchete): Na língua
tupi, “aquilo que corta a pele”, peixe típico agressivo da região do Pantanal;
- Tiririca – Tiririca, programa DOMINGO LEGAL:
Na língua tupi, significa “capim rasteiro, erva daninha”;
Palavras originárias de línguas
africanas:
- Zumbi – ZUMBI, O REI DOS PALMARES (TV Brasil), OS MUTANTES
(Record); A palavra significa fantasma em uma língua africana. No caso da
minissérie da TV Brasil, revelou a público a figura histórica do líder fundador
e defensor do Quilombo de Palmares;
- Quilombo – SINHÁ MOÇA (Globo): Abrigo e
refúgio seguro denominado pelo povo africano que foi escravizado por
portugueses e seus descendentes no Brasil;
- Búzios – MANDALA (Globo): A palavra tem
origem de línguas africanas e em português significa conchas;
- Batuque – SINHÁ MOÇA (Globo): ritmo musical
a base de instrumentos rudimentares de percussão e acompanhando a dança mantida
e celebrada pelos escravos africanos. A batucada vinha da senzala, obviamente,
após o final dos exaustivos trabalhos nas colheitas agrícolas, e claro,
desagradava muito os sinhozinhos e sinhazinhas puritanos e conservadores;
- Capoeira – ESCRAVA ISAURA, SINHÁ MOÇA, LADO
A LADO (Globo): luta gingada, esportiva, que integra a cultura brasileira a
partir da cultura africana; Também passou a denominar o mato ralo nas fazendas,
para onde alguns escravos cansados e maltratados, às vezes, tentam fugir e se
esconder;
- Mandinga – XICA DA SILVA (Manchete):
feitiço ou encanto, magia;
- Tanga – DESEJOS DE MULHER (Globo), Rita
Lee, Daniela Mercury: palavra de origem africana, pano que cobre desde o ventre
até as coxas, peça do vestuário feminino ou masculino. É tipo um “short” ou uma
sunga na moda estabelecida a partir da década de 1960. Nada a ver com uma
bermuda muito longa;
Outras palavras e expressões
popularizadas pela teledramaturgia:
- Capanga – ROQUE SANTEIRO: Valentão que se
põe a serviço de quem lhe paga. Guarda-costas. O mesmo que ‘cupincha’;
- Cupincha – O SALVADOR DA PÁTRIA: Valentão
que se põe a serviço de quem lhe paga. Guarda-costas. O mesmo que ‘capanga’;
- Tapera – PANTANAL (Manchete): Habitação ou
aldeia abandonada, em ruínas;
- Babaca – VALE TUDO, programa DOMINGÃO DO
FAUSTÃO, Gilberto Braga, Fausto Silva: Significa uma mistura de Sonso e
dissimulado com sem-vergonha. Ex: o vilão Marco Aurélio (da novela Vale Tudo)
agia como um verdadeiro babaca, ou seja, misto de bobalhão com ladrão sem
nenhum escrúpulo. Na frente de alguém mais poderoso, tinha sempre soluções pra
tudo, todas elas já prontinhas na gaveta, mas por trás, sabotava, boicotava,
corrompia e subornava para obter vantagens ilícitas em qualquer negócio, com
qualquer pessoa, e mesmo no seu pequeno círculo de relações afetivas;
- “Socialite” – DANCIN’ DAYS, ÁGUA VIVA, RAINHA
DA SUCATA, LUA CHEIA DE AMOR (Globo): Yolanda Pratini, Lourdes Mesquita, Laurinha
Figueiroa e Laís Souto Maia ditavam moda e tendências e contavam com inúmeros
seguidores e admiradores, embora Laurinha decaiu desde o início da fase das
badalações e do trânsito livre nas colunas sociais para a decadência total. Já Laís
foi seguida, imitada e idolatrada sem trégua, e ganhou o status de
“translumbrante” pela amalucada fanzoca Kika Jordão;
- Vampiro – VAMP, O BEIJO DO VAMPIRO (Globo):
Vampiro, figura lendária e mitológica do mal, que se alimenta com sangue para
ter ‘vida eterna’ na terra e no além, e pode se transformar em morcego, para
fugir da luz, e da cruz. Segundo os escritores ficcionistas, trata-se de uma
figura bruxólica criada como personagem da literatura, e antes já difundida
pela própria literatura (Histórias em Quadrinhos, romances, etc) e no cinema.
Com a novela Vamp, no entanto, os fãs
de literatura pop foram surpreendidos novamente pela mente criativa do escritor
Antônio Calmon e com a interpretação vibrante e lúdica pelo elenco da produção,
formado em sua maioria por artistas jovens e grandes nomes da teledramaturgia
da época, todos muito entusiasmados e afinados com o projeto;
- Boiola – QUATRO POR QUATRO (Globo): Na
novela escrita pelo autor Carlos Lombardi, além do significado já conhecido
popularmente, especialmente na região nordeste, como bobo, bobalhão, bocó ou
otário, tentou-se “colar” ou “adicionar” o significado de homossexual
afeminado, só que não colou muito, não difundiu, apesar das boas (?) intenções
do autor. Acho que a expressão logo caiu em desuso com o final da novela. Não
lembro de nenhuma outra novela ou filme que tenho voltado a fazer uso dessa
palavra;
- Bofe – QUATRO POR QUATRO (Globo): Essa sim
foi uma palavra que pegou pra valer, só que muito antes da novela, no linguajar
de rua, nos guetos e na cultura jovem. Significa um homem atraente, no sentido
físico, corporal. E além da boa forma física masculina, a palavra, em muitas
regiões do Brasil, também significa pulmões. Costuma-se dizer, por exemplo,
“fulano correu tanto que quase pôs os bofes
pra fora”;
- Biba – SUAVE VENENO (Globo): Homossexual ou
bissexual assumido. Essa palavra também pegou com a novela. Não só porque o
Aguinaldo Silva soube captar muito bem as gírias da época, mas porque o povo em
geral, já havia popularizado a palavra em questão, certamente havia já algum
tempo;
- Hiperinflação – programa JORNAL NACIONAL
(Globo, na década de 1980) e praticamente todos os telejornais da TV brasileira
da época: Inflação elevadíssima.
- Carestia – programa JORNAL NACIONAL (Globo,
na década de 1980) e praticamente todos os telejornais da TV brasileira da
época: Custo de vida altíssimo, falta freqüente de suprimentos e mantimentos para
atender as necessidades básicas;
- Burocracia – programa JORNAL NACIONAL
(Globo, na década de 1980) e praticamente todos os telejornais da TV brasileira
da época; Governo pelos escritórios (“bureaux” em francês). Segundo o
Dicionário Silveira Bueno, “s. f. A classe dos funcionários públicos; tramitação
demorada de papéis, nas repartições públicas”;
- Desburocratização – programa JORNAL
NACIONAL (Globo, na década de 1980) e praticamente todos os telejornais da TV
brasileira da época: política, mecanismo e ministério criado pelo governo
federal para conter os excessos da política de burocratização (rsrsrs);
- Todos Contra a Fome – programa JORNAL
NACIONAL (Globo, na década de 1990; reportagens sobre a campanha liderada pelo
sociólogo Betinho): Todos Contra a Fome;
- Infra-estrutura – programa JORNAL NACIONAL
(Globo, na década de 1990): Infra-estrutura;
- Flagelada / Flageladinhos – SENHORA DO
DESTINO: Flagelada / Flageladinhos;
- Logística – Willian Waack, programa JORNAL
DA GLOBO, praticamente todos os telejornais de TV aberta ou fechada a partir da
década de 2000: Ciência criada por setores militares desde tempos longínquos.
Tem a ver com lógica e raciocínio, e é tida também como a preferida ou “a
queridinha” de políticos e militares. No telejornalismo, apareceu discretamente
e “tomou de assalto’ o vocabulário da maioria dos telejornalistas, substituiu
quase 100% a expressão talvez demais manjada “infra- estrutura” e deu alguma
‘modernidade’ ao mesmo conceito ou área científico. Assim, se uma vez (no
passado não muito distante) a gente costumava ouvir sobre “problemas ou falta
de infra-estrutura”, agora a gente ouve quase sempre “problemas ou falta de
logística”. Dá praticamente na mesma, mas é muito mais chique e polido, não?
- Parapsicologia – SÉTIMO SENTIDO, Programa
FANTÁSTICO (TV Globo): Ciência que investiga casos considerados como
paranormais, muitas vezes também tidos como sobrenaturais. Geralmente, trata-se
de eventos intrigantes de comportamentos recorrentes ou distúrbios
comportamentais não explicados ou fora do alcance das explicações da psicologia
ou de outras áreas de estudo e/ou científicas/médicas tradicionais;
- Cuca – CUCA LEGAL, MARRON GLACÉ (Globo);
Cabeça, Inteligência, cérebro. Em Marron
Glacé, uma das músicas da trilha sonora, “Grilho na Cuca” foi cantada por
Dudu França;
- Cambalacho – CAMBALACHO (Globo): Palavra de
origem espanhola, que foi o título da novela, mas acabou não pegando muito, e
hoje soa até meio datada, só sendo amplamente conhecida pelos noveleiros mais
inveterados. Significa pequeno golpe, trapaça, tramóia, muitas vezes até com
objetivos nobres ou justos. As expressões que pegaram mesmo com esse sentido é
a famosa “lei do Gérson” (não apenas com a TV, mas também com o rádio e
jornalismo impresso da década de 1980) e “Vale Tudo” (expressão popular
conhecida, título da novela global oitentista homônima e designação de
modalidade esportiva);
- Chacrinha – CASSINO DO CHACRINHA (Globo): Vem
de chácara. No caso, uma chácara pequena, área de terra situada na divisa do
meio urbano com o meio rural. No caso, a chacrinha específica era também a sede
da Rádio Clube Fluminense, em Niterói (RJ), onde o comunicador, radialista e
depois de apresentador de TV, Abelardo Barbosa, iniciou sua carreira como um
dos mais importantes e competentes comunicadores e fundadores da moderna mídia
brasileira. Pela sua irreverência e excentricidade, “Chacrinha” também virou
seu codinome, seu nome artístico, e mais: a palavra também se tornou sinônimo
de algazarra, balbúrdia e; pode-se dizer ainda, alegria contagiante;
- Ti ti ti – TI TI TI (Globo): conversa
espalhafatosa; confusão média, ou seja, ainda meio que controlada, e não
generalizada;
- Bu zu zu – RAINHA DA SUCATA (Globo):
conselho inconveniente e dispensável; ruído ou zunido de alguém que fica ‘buzinando’
no ouvido da gente. Que o diga a Dona Armênia;
- Blá-blá-blá – TI TI TI – remake (Globo):
conversa afiada. Em inglês, a expressão tem praticamente a mesma fonética. Que
o diga a cantora Kesha (ou Ke$ha, justamente como a ambiciosa artista estadunidense
prefere escrever e divulgar seu nome artístico) que canta na trilha sonora a
expressão xarope de mesmo significado em português: “blah-blah-blah”;
- “Candidato laranja” – O SALVADOR DA PÁTRIA (Globo): Candidato de fachada, de
conveniência, usado para dar ou transferir os votos ou o poder político (caso
eleito) para outro;
- Mangar – TIETA (Globo): Debochar. Na novela
escrita por Aguinaldo Silva, quem mais sofria disso, ou seja, as pessoas
mangavam dele, era o adolescente Peto – Copertino Júnior, mas também acontecia
muito com Carol, a teúda e manteúda de Modesto Pires;
- “Dar um cheiro” – TIETA, SEGUNDO SOL
(Globo); Dar um abraço, um beijo ou um afago;
- Massa – SEGUNDO SOL (Globo): Legal, bom,
ótimo.
- Ralar peito – MALHAÇÃO (Globo): Sair fora,
ir embora;
- Bimbo – GUERRA DOS SEXOS (Globo): Significa
meio que uma celebridade-bibelô. Por exemplo: Marilyn Monroe era tida como
“bimbo” de Hollywood pela maioria da imprensa e da mídia da época. Bimbo
designava uma celebridade carismática ligada ao meio artístico e com qualidades
físicas notáveis, porém com dotes intelectuais limitados. O termo foi criado
pela crítica hollywoodiana das décadas de 1940 e 1950. Foi também o apelido de
Otávio, dado pela Charlô, na novela citada;
- Cumbuca – GUERRA DOS SEXOS (Globo): Cuia
furada, na língua tupi. Pelo que deu a entender a novela, no vocabulário
adaptado dos relacionamentos pessoais, designaria uma pessoa ardilosa, que
ainda que misteriosa e fascinante, enreda as pessoas numa teia perigosa de
armadilhas. O conhecido provérbio “Macaco velho não põe a mão em cumbuca”
explica ainda o significado da expressão que foi muita repedida neste folhetim.
Foi também o apelido de Charlô, dado pelo Otávio, na citada novela;
- Caô – MALHAÇÃO (Globo): Mentira;
- Maneiro – TOP MODEL (Globo): Ótimo,
excelente;
- Engajar-se / Engajado(a) – ANOS REBELDES
(Globo): Assumir uma posição crítica e criativa diante de um assunto político ou
em relação a uma causa coletiva/individual ou problema social;
- Alienar-se / Alienado(a) – ANOS REBELDES:
Assumir uma posição passiva e indiferente diante de um assunto político ou em
relação a uma causa coletiva/individual ou problema social; “Enfiar a cabeça na
areia” feito avestruz, ignorando possíveis eventuais agressores, de forma
imprevidente;
- Profissional ‘autono’ – programa OS
TRAPALHÕES (Globo): profissional autônomo;
- Hermafrodita – RENASCER (Globo):
hermafrodita, pessoa que nasce com os dois sexos, ou melhor, as duas genitálias
(masculina e feminina);
- Trans / Transgênero – A FORÇA DO QUERER
(Globo): transgênero; pessoa que faz transição de gênero sexual;
- Marrento – AVENIDA BRASIL, SEGUNDO SOL
(Globo): alguém que teima exageradamente e dificilmente “se dobra” aos desejos
individuais de outra pessoa, a não ser que seja um desejo mútuo, ou que possa
estar no controle ou no domínio da situação. Tem a ver com querer as coisas
meio que a força ou “na marra”, até conseguir, muitas vezes por convicção,
outras vezes por simples birra, demorando a se convencer de uma eventual
impossibilidade. Mais ou menos como os personagens de Cauã Reymond em Avenida Brasil, e de Chay Suede em Segundo Sol;
- Quebrada – I LOVE PARAISÓPOLIS, A REGRA DO
JOGO (Globo), filme NA QUEBRADO, de Fernando Groinstein: trabalhar e circular ‘nas
quebradas’ é trabalhar e circular por fora das áreas de radares da polícia ou
de outras autoridades reconhecidas oficialmente como de linhas de frente,
geralmente de atividades essenciais mantidas por instituições de estado ou da
sociedade, como as dos combatentes do tráfico de drogas e dos crimes em geral;
não necessariamente trabalhando ou agindo de forma ilegal, ou seja, muitas
vezes são apenas formas de trabalho ou de movimentação onde as pessoas estão
desenvolvendo atividades laborais importantes e inevitáveis para as suas
sobrevivências, de forma informal e ainda não reconhecida na maioria das vezes,
ou atividades de lazer ou recreativas individuais, em lugares ermos ou
desabitados. A expressão denota uma reação natural, e totalmente compreensível,
diante da existência de milícias e forças paramilitares, atalhos e rotinas de
corrupção nos sistemas viários e de trânsito, em muitos subúrbios e periferias
urbanas e rurais brasileiras.
- Perua – programa OS TRAPALHÕES, PERIGOSAS
PERUA (Globo): mulher exibida, espalhafatosa, escandalosa;
- Mocreia – programas OS TRAPALHÕES,
ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO e A DIARISTA (Globo): mulher feia, horrorosa;
- Estrupício – HAJA CORAÇÃO (Globo): homem
inútil, sem atrativos físicos ou intelectuais exuberantes, seja de fato ou por
um não reconhecimento. Termo usado para ofender ou rebaixar geralmente as
figuras masculinas. Há uma variante de termo, também muito verbalizada na
teledramaturgia que é a palavra “traste” (que tem ainda o sentido de móvel
caseiro velho). Cabe lembrar que as novelas refletem os comportamentos e
costumes predominantes numa determinada época. Por isso, possivelmente os
xingamentos e adjetivos femininos que podem ser considerados como palavrões
usados para as mulheres são muito mais numerosos, COM CERTEZA – e aqui não está
implícita, nesta outra expressão popular já comentada, a questão do automático,
e sim a questão estatística real. Mas, por outro lado, cabe também lembrar que,
segundo várias pesquisas, as mulheres sempre foram maioria entre o público
principal e potencial das telenovelas;
- Assoberbado(a) / Atucanado(a) – ROQUE
SANTEIRO, PEDRA SOBRE PEDRA, A INDOMADA (Globo): Armando Bógus, Eva Wilma:
cheio(a) de soberba ou de ‘atucanações’. Significa também com a cabeça cheia;
cheio(a) de tarefas agendadas e preocupações, sem saber por onde começar o
trabalho prioritário, ainda que, muitas vezes, sejam ideias ou perturbações totalmente
fúteis ou supérfluas. Seo Zé das Medalhas, Viúva Porcina, Pillar Batista,
Murilo Pontes e Maria Altiva de Mendonça e Albuquerque viviam assoberbados e
atucanados;
- Botar fé – SEGUNDO SOL, MISTER BRAU
(Globo): Lázaro Ramos: Acreditar, crer, ter fé;
- Encrenca – PARTIDO ALTO (Globo): O
personagem Professor Maurício (interpretado por Cláudio Marzo) explicou bem o
significado da palavra para a sua turma de estudantes de História. A razão da
explicação em cena do sentido da expressão foi também uma maneira encontrada
pelos autores de darem um spoiler do
que viria a seguir. O personagem protagonista em questão, o professor quarentão,
se tornaria a pessoa mais encrencada da novela, pois foi acusado, preso e
condenado injustamente por causa de um crime que não cometeu. A palavra vem dos
idiomas ídiche e alemão, e significa na origem doença ou mais especificamente cancro/câncer,
pois vêm das duas palavras “ein kreink”;
- Baderna – O SALVADOR DA PÁTRIA (Globo): O
personagem do delegado Plínio (Antônio Grassi) disse num capítulo que não
admitiria baderna e impediu que uma situação tensa fosse estimulada ainda mais,
quando uma situação dessa natureza estava prestes a fugir ao controle. A origem
da palavra “baderna” tem a ver com as torcidas e balbúrdias ‘organizadas’ pelos
fãs-clubes da atriz e bailarina Maria Baderna (e de outras atrizes e bailarinas
também no Rio de Janeiro, no início do século 20, mas foi esta apenas que levou
a fama e teve a ‘honra’ de designar uma situação complicada) à porta dos
teatros e nas ruas próximas;
- Lero-lero – A LUA ME DISSE (Globo):
Conversa afiada. O cantor Erasmo Carlos faz entender o significado na própria
letra da música de abertura da novela;
- Colosso – programa TV COLOSSO (Globo): “s.
m. Estátua descomunal; (fig.) Pessoa gigante; Objeto de grandes dimensões.”
(Dicionário Silveira Bueno);
- Superfantástico – programa BALÃO MÁGICO
(Globo): Mais do que fantástico, super fantástico. Especialmente para quem foi
criança na década de 1980;
- Borocoxô – SALVE-SE QUEM PUDER (Globo): Triste,
cabisbaixo. Igual ao Zezinho da novela, segundo a mãe dele, Dona Ermelinda,
após a exuberante Alexia Mássimo hesitar em admitir a sua nova paixão e o
sentimento mútuo que têm um pelo outro. Ela própria, a fogosa (e gulosa) Alexia/Josimara,
acabou também ficando um pouco borocoxô por ter dificuldade em revelar seu amor
pelo caipira.
- Sirigaita – TIETA, O CLONE (Globo): Um dos
xingamentos dirigidos a mulheres especificamente, sendo um dos preferidos e
proferidos geralmente pelo(a)s personagens recalcado(a)s de plantão;
- Lambisgoia – TIETA, O CLONE: Outro dos
xingamentos dirigidos a mulheres especificamente, sendo outro dos preferidos e
proferidos geralmente pelo(a)s personagens recalcado(a)s de plantão;
- Teúda e manteúda – TIETA: Também parece aparentemente
um xingamento ou palavrão. Mas, o caso é que até a apresentação original da
novela inspirada no romance de Jorge Amado e escrita brilhantemente por
Aguinaldo Silva, parece que pouca gente, principalmente no sul do Brasil, já tinha
lido, ouvido ou visto falar essa expressão, que é muito simples, segundo diria
o – aluno do professor Raimundo – Seo Pitolomeu. A tradução literal é “tida e
mantida”, ou seja, significa uma amante tida e mantida, amparada e sustentada;
Mas como é uma expressão que pouca gosta de falar, pois muitos gostam de xingar
as pessoas por aqueles outros motivos que tem a ver geralmente com infidelidade
conjugal, essa expressão não se popularizou muito e acabou se tornando
inevitavelmente associada à novela Tieta
e a personagem Carol, interpretada com brilhantismo pela talentosa Luíza Thomé.
- Pitéu – TIETA: É um tipo ‘gatinha” ou
‘gatinho’. Seo Timóteo D’Alemberte e Seo Osnar e “rolinha” Maria Imaculada, eu
acho que falaram essa palavra várias vezes referindo-se a outros personagens, e
sempre sabendo do elogio que estavam fazendo, lógico.
- Quenga – TIETA: Significa prostituta. Para
alguns/algumas personagens de Tieta
são sempre as de rua ou da zona do meretrício (ou ‘Casa da Luz Vermelha’),
claro, e nunca as senhoras casadas ou viúvas, ou jovens senhoritas solteiras
virgens e casadoiras;
- Michê – CELEBRIDADE (Globo): Significa
prostituto. No caso, o Marcos era o amante e cúmplice fiel da ‘cachorra’ Laura,
que também se prostituía, como toda boa vilã, ainda mais numa novela tão
lacradora, arrasadora e relativamente realista como Celebridade.
- Pão – JOGO DA VIDA, CARAS E BOCAS, O CRAVO
E A ROSA (Globo): Além do alimento feito de trigo nas padarias das novelas Jogo da Vida e Caras e Bocas, em algumas novelas de época, como O Cravo e A Rosa, no sentido figurado
significa: Homem bonito. A romântica personagem Bianca, por exemplo, sabia
identificar um “pão” de longe.
- Sabonetão – AMOR DE MÃE (Globo): Homem
bonito. A mãezona Dona Lurdes (índice 0% de rejeição à personagem, segundo
várias pesquisas do Ibope) foi quem trouxe de volta essa expressão do “arco da
velha” para elogiar o seu filho mais velho, o simpático e solidário Magno. O
curioso é que houve uma mudança do significado original da gíria, pois segundo
matéria da revista Atrevida, edição de julho de 1995,. “sabonetão” queria dizer
especificamente para os jovens do estado de Santa Catarina de então: menino ou
menina que já se envolveu sexualmente com todo mundo de uma mesma turma. ...
Aconteceu algo interessante com essa gíria, pois a autora Manuela Dias e a
atriz Regina Casé conseguiram dar um up-grade
(uma promoção) no significado da expressão. De gíria brega passou agora a gíria
chique, ainda se manteve em uso num grupo social bem classe média e de cultura
popular. Diferente do que aconteceu com Carlos Lombardi e alguns de seus
intérpretes do elenco de Quatro por
Quatro, quando o autor tentou mudar o sentido de boiola, tentando vulgarizar
ampliar um significado regional para a palavra destacada nos diálogos, mas bem
diferente daquele significado anterior que ela já tinha. Mas, como costuma
dizer a novelista Glória Perez, toda palavra têm poder. E, às vezes, quem quer
muito brincar ou ‘descontrair’ com o uso dos ditos palavrões, acaba
desagradando geral;
- Coquete / Cocota – O CRAVO E A ROSA, CABOCLA,
A SUCESSORA, GABRIELA (Globo): Vaidosa, oferecida. Mas, mais na acepção
francesa/ senegalesa da palavra: vaidosa. Segundo a blogueira Aline Mariane, do
blog São Paulo – Paris – Dakar, coquète
significa especificamente vaidosa, mas nesse caso não tem nenhum sentido
negativo como pode ter em português, como orgulhosa, por exemplo. “Coquète é gostar de se arrumar, de se
produzir, de enfeitar”, escreve a blogueira em seu texto “Très coquète: a vaidade senegalesa”. E eu poderia dizer também,
pois conheço esta palavra de tantas novelas, principalmente as de época:
vaidosa no sentido de se embelezar e se cuidar, com recursos como maquiagens e
penteados. Na novela de Walcyr Carrasco, o adjetivo foi certamente “exemplificado”
com o perfil da personagem Dinorá;
- Almofadinha – O CRAVO E A ROSA: Janota. Na
novela de Walcyr Carrasco, o adjetivo foi “exemplificado” com o personagem
Heitor;
- Janota – O CRAVO E A ROSA: Almofadinha. Na
novela de Walcyr Carrasco, o adjetivo foi “exemplificado” com o personagem
Heitor;
- “Enfiar o pé na jaca” – PÉ NA JACA,
programa DOMINGÃO DO FAUSTÃO (Globo): como muitos dizem aqui no Rio Grande do
Sul, passar a noite na esbórnia ou na gandaia, comer e beber tudo que agüentar.
E se permitir participar de cena(s) digna(s) de figurar nas Videocassetadas do
Faustão;
- Cafofo – programa CASSETA & PLANETA
(Globo): Casebre, esconderijo, abrigo particular. Quem das pessoas que
assistiram consegue esquecer o quadro cômico “No cafofo do Osama”? Um humor ácido
talvez esse de fazer graça com assuntos sérios ou trágicos, mas como dizem: o
humor é sempre o melhor remédio. E o riso equilibrado e não estereotipado
sempre fez bem para a diplomacia. Então não tinha como não embarcar no clima
das piadas hilárias interpretadas ou escancaradas pela trupe, ao menos para mim,
para o grande público da TV Globo e para quase toda a civilização cristã
ocidental;
- Shoping center – GUERRA DOS SEXOS (1983)
(Globo): O shopping Center Charlo’s de Guerra
dos Sexos foi talvez o primeiro de destaque na ficção televisiva brasileira.
Acho que poucos lembram bem da teledramaturgia anterior, mas antes deste
folhetim clássico de Sílvio de Abreu o máximo dos centros comerciais nas
novelas eram as lojas de departamento. Coisa mais pra filme do Jerry Lewis. É bem
seguro afirmar que a modernidade deu uma mostra muito firme com a sua relação
bastante íntima com as telenovelas urbanas da Globo, da mesma forma que já
havia ocorrido anteriormente com as modernizantes Beto Rockfeller e Dancin’
Days;
- Top model – TOP MODEL (Globo): Top model é
o estrangeirismo talvez máximo ligado ao setor interligado moda e modelismo e à
teledramaturgia no Brasil. Várias outras novelas seguiram nessa trilha como Belíssima, Ti Ti Ti (remake), Totalmente
Demais e Verdades Secretas, mas
poucas outras palavras ligadas a este setor econômico e à teledramaturgia
surgiram assim espontaneamente e então permaneceram. O termo “über model”, por
exemplo, é uma expressão-título por mérito, obra e graça exclusiva de Gisele
Bündchen. Provavelmente, nada a ver com teledramaturgia. O mesmo ocorre com os
títulos sempre lembrados de outras celebridades brasileiras, como “Namoradinha
do Brasil”, “Rei do Futebol”. “Rainha dos Baixinhos”. Tais ‘alcunhas’ devem-se
quase que exclusivamente ao talento de seus titulares;
- Workaholics – Miguel Falabella (contratado
da Globo até um ano atrás, e agora certamente com vários contratos com empresas
de streaming e outros canais de televisão): A palavra é uma junção, formando
uma nova expressão, das palavras do inglês “work” (= trabalho) e “aholic” (=
alcoolista, antigamente chamado erroneamente de alcoólatra). Significa: Viciado
em trabalhar. Trabalhador incansável, hiper ativo e hiper produtivo. Claro, cito
o ator, apresentador e dramaturgo Miguel Falabella como símbolo dessa expressão
consagrada por três principais motivos. Primeiro porque ele é famoso e querido
por quase todo o mundo, né? Segundo: porque ele é homem. Fosse ele uma mulher e
que tivesse planos de ter filho e de se doar para o ato de engravidar, nem
citaria muito a palavra e diria também para ele sossegar um pouco, né? Porque
todo mundo sabe (até os homens mais celibatários) que pra gerar e gestar um
bebê as mulheres (e também os homens “emocionalmente grávidos” e presentes e
responsáveis), as mulheres precisam ou aprendem por maior necessidade a
importância de dormir um sono e repouso programados e descansar um pouco mais
para se manter a própria saúde e a de um bebê que está sendo gerado... E
terceiro: porque ele não é pobre... Se fosse um cidadão/cidadã POBRE (ainda que
tivesse ou fizesse pose de RICO, feito o personagem Caco Antibes, que odeia a
si próprio), e tivesse o status de um anônimo/a, tipo de um malabarista de
circo de semáforo, e não fosse o artista talentoso que é (Te amo, Falabella!),
diriam que é mais um/a que “tem o bicho carpinteiro no corpo”. Mas, espera aí,
o que é que eu tô escrevendo agora? Muita viagem, né? Afinal, não quero ser
mais workaholic do que já sou e nem quero viver num mundo mais workaholic do
que já vivemos. Então, passa a régua e pula pra outra expressão;
- “Cala a boca” – seriado SAI DE BAIXO, HAJA
CORAÇÃO (Globo): Diferente do que disse para a televisão a Ministra do STF
Carmem Lúcia, na teledramaturgia brasileira, “Cala a boca” não morreu. Nem
desapareceu, e, minha opinião, ainda bem, porque a expressão encerra vários
bate-bocas fictícios que são por demais intermináveis e absolutamente belicosos.
(Ainda bem que muitos textos são realmente engraçados). Penso que, ao contrário
dos textos e diálogos sobre questões de Direito, onde muitas vezes predomina o
tom de educação, de referência e de respeito, no dia a dia, proliferam muitas
vezes discussões inúteis, conflitos de interesses e “acertos” de contas, que
não raro provocam desequilíbrios nas questões de direitos e deveres individuais.
Se tal fala ou expressão reproduz diálogos justos e apropriados ou se compõe
textos inconvenientes e mal educados, esse é outro papo. Todo mundo entende e
aceita bem o fato de que o uso da linguagem pode ser comparada com “faca de
dois gumes”. Mas, a simples dramatização da expressão “cala a boca” traduz
também uma explosão de energia ou de agressividade, depende claro da posição de
quem verbaliza a frase. O caso é que a teledramaturgia investiga todo o tipo de
linguajar, até o dos bandidos, da mesma forma que outras manifestações
artísticas, sejam elas audiovisuais também, literárias, musicais ou plásticas.
Por isso a expressão “Cala a boca”, presente em muitíssimas produções da
teledramaturgia, foi e é utilizada pelos roteiristas e atores desde a década de
1990 talvez ainda mais do que nas anteriores. Não raro ela serve também como parte
dos famosos bordões, expressões
faladas repetitivamente por personagens cômicos e grosseiros, sejam estes
homens ou mulheres. Foi o caso do bordão “Cala a boca, Magda”, popularizado
pelo esnobe Caco Antibes, no seriado SAI DE BAIXO; e pelo mais recente “Cala a
boca, Varela!”, repetido ‘aos quatro ventos’ pela também esnobe Teodora Abdala,
na novela HAJA CORAÇÃO;
- Hippies - ESTRELA GUIA, COMEÇAR DE NOVO, A FAVORITA
(Globo). Gente tranqüila, de bem com a vida, que deseja (e muitas vezes)
consegue uma terra própria, administrável e sustentável para viver, reduzindo
assim os níveis elevados de stress e consumo (não necessariamente nessa ordem) e
de horas mal aproveitadas ou mal renumeradas de trabalho e que consegue ter
alguma independência ou autonomia, caso acredite muito na ideia do ser humano
ser mesmo senhor ou senhora do seu próprio destino. Há controvérsias, claro,
sobre este meu entendimento rápido sobre quem são, o que pensam e como vivem ou
o que significa a palavra hippies. Mas, acho que todos os brasileiros já
sabem, não apenas por causa das novelas brasileiros, já que os primeiros
hippies reconhecidos, como todos sabem, são dos Estados Unidos da América. Além
disso, estou meio sem tempo para analisar ou comentar esta palavra ou
denominação. Fica para uma postagem. Pula para a próxima expressão que é bem mais
simples.
- DAC – Departamento de Aviação Civil – VALE
TUDO (Globo): Denomina exatamente, e na real, o órgão oficial que regula o
setor de aviação civil comercial no Brasil. Muito citado, comentado e, de certa
forma, apresentado até didaticamente para o grande público da teledramaturgia
brasileira, que para a alegria de todos, curtiu e prestigiou como poucas vezes,
uma novela inteligente, realista e absolutamente defensora da honestidade e dos
valores éticos fundamentais para a construção de um país justo e solidário. É
bem possível que se no início da década de 2020 até empregadas domésticas
estavam podendo viajar para a Disney, Orlando e Miami, nos Estados Unidos, não
foi apenas porque a economia estava bem, como afirmou o Ministro da Economia
Sr. Paulo Guedes, mas também porque lá atrás, no final da década de 1980, uma
novela brasileira de imenso sucesso ambientou parte de sua trama em uma
companhia aérea, numa empresa de aviação comercial, e não numa fábrica de armas
de fogo. Como se pode concluir, muitas telenovelas têm uma percepção e uma
visão de futuro para sociedade brasileira muito mais progressista, construtiva,
agregadora e inclusiva do que as de vários ministérios e ministros da economia.
Por
isso é isso é que eu sou da opinião de que não apenas as empregadas domésticas,
mas também as atrizes e os atores tenham poder econômico para fazer viagens
aéreas internacionais. Falar que se trata de uma regalia, luxo ou
inconveniência a respeito de uma situação normal como essa, em minha opinião, é
puro populismo ou demagogia. A maioria do povo brasileiro parece deu um
desconto às palavras do ministro porque lá por setembro 2020, antes do período
[ou até durante momentos críticos] do enfrentamento brasileiro da pandemia de
covid 19, as situações dramáticas surgidas podem ter provocado também o que
muitos já estão percebendo, e considerando ou interpretando, como uma série de
colapsos em parte das memórias culturais e políticas de alguns brasileiros.
Opinião
pessoal: é bem melhor viver num país em que todos os trabalhadores, tanto das
áreas dos governos como a da população civil, ligadas às mais diversas
profissões e empregos, desde as mais exatas às mais humanas e às ligadas à
cultura popular e às artes em geral, enfim de todas as áreas dos setores
econômicos promotores de trabalho honesto e digno (e, por isso, também
merecedores de liberdade e dos mesmos direitos) possam ter os mesmos direitos.
É melhor viver num país com ideologias políticas e culturais democráticas,
valorizadas e apreciadas do que num país em que somente profissionais de
categorias consideradas técnicas ou ligadas às chamadas equipes de linhas de
frente formadas para implantações e/ou operações de logísticas, muitas vezes
incongruentes e até inconsistentes. E também num país que consiga manter a logística
de uma infraestrutura razoável e que suas autoridades respeitem o caráter
democrático no que ser refere ao valor dados aos passageiros trabalhadores e
pagantes (e, portanto, merecedores) dos bons serviços prestados pelos setores
de transporte aéreo (civil e militar), terrestre e marítimo, e do turismo
responsável, como um todo. Ou seja, que tal população seja tratada com a devida
seriedade e respeito pelas autoridades competentes.
Em
meu entendimento, a liberdade de todos de viajar em condições justas e
igualitárias, com liberdade e responsabilidade, poderá sim ser novamente
elogiada algum dia (e não mais desprezada ou ridicularizada como foi em 2020).
Isso caso a pandemia for de fato vencida e algumas autoridades consigam se
desculpar pelas falas suas prepotentes e irônicas que muitas vezes falam sem
pensar. Mas, talvez a visão do atual ministro da economia foi meio que de
encontro com a opinião/fala citada do jornalista Marcelo Tás, incluída na
coluna X-TUDO OK!OK por Nelson Rubens da revista Minha Novela (edição nº 100,
de 28/05/2019): “Ignorante acha seguro continuar ignorante”.
Como
sou totalmente favorável à democracia, de minha parte vou continuar assistindo
muita novela global. Pelo menos enquanto elas continuarem na TV aberta e
“gratuita” e (provavelmente, se os valores dos planos de assinaturas atuais se
mantiverem em níveis de pagamento acessíveis ao meu orçamento doméstico)
através dos canais de TV fechada também, e torcendo, claro, pela preservação
legal e constitucional da liberdade de expressão, que não sou bobo nem nada. Na
novela Vale Tudo, os atores pronunciavam esta referida “abreviatura
mágica” como “de-a-cê” e esse Departamento de Estado “caiu total na
boca do povo”. Todos os telespectadores da novela de autoria de Gilberto Braga
entendiam ou ficaram entendendo bastante das funções legais, orientações,
determinações e o ‘modus operandi’ do DAC, ou um pouco mais sobre a
rotina desse órgão administrativo federal.
-
Hacienda – ESCRAVA ISAURA (Globo) – popularizada na Rússia, quando exibida pela
TV russa. “A palavra ‘fazenda’, inexistente no dicionário russo, passou a fazer
parte do vocabulário do país, depois da novela – ainda que na versão espanhola,
‘hacienda’”. (Fonte: livro Almanaque da Telenovela Brasileira, de Nilson Xavier.
Panda Books, 2007);
-
Mercado Roque Santeiro – ROQUE SANTEIRO (Globo) – popularizada em Angola,
quando exibida pela TV angolana, e passou a designar um amplo e conhecido
mercado popular em Luanda. (Fonte: revista Brasil de Fato);
-
Restaurantes Paladares – VALE TUDO (Globo) – empresa criada
pela personagem Raquel Accioli na trama escrita por Gilberto Braga. Inspirou a
denominação de um tipo de negócio popularizado em Cuba, quando a novela
brasileira foi exibida pela TV cubana, e a ideia empreendedora passou a
designar uma ampla e difundida modalidade artesanal de restaurante caseiro, de
comida artesanal/caseira, Assim, um pouco do pensamento capitalista e da
ideologia do liberalismo e da globalização chegou à Cuba, via novelas da TV
Globo, segundo diversas reportagens da imprensa brasileira. Claro que as
novelas globais nunca conseguiram minar de fato a “logística”
do sistema socialista ou da política nacionalista protecionista cubana. Mas,
graças aos bons princípios éticos empresariais da TV Globo, a novela brasileira
que não tinha nenhuma pretensão colonialista, conseguiu chegar também aos
cubanos, compartilhando a vibração positiva e revolucionária da cultura
brasileira. (Fonte: Reportagem “Novela brasileira desafia regime de Cuba”,
publicada no jornal O Estado de São Paulo, suplemento Caderno 2, edição de
27/02/1994, p. B10).
Uma grande amiga minha sentiu falta da palavra/expressão MUVUCA, que não existia no dicionário e foi criada/popularizada pelo programa da Regina Casé de mesmo título. Excelente lembrança! Eu tb passei a usar a palavra MUVUCA direto,
ResponderEliminartanto no sentido de aglomeração, como no sentido de confusão generalizada.
Um grande exemplo e prova de como a televisão e os seus grandes artistas absorvem, captam e dinamizam o linguajar das ruas e as gírias. E, com isso, dão mais vivacidade e informalidade à comunicação social!