10 MISTÉRIOS GOSTOSOS QUE INTRIGAM A BOLHA NOVELEIRA

(7 DE DIFÍCIL RESPOSTA E 3 JÁ DECIFRADOS)

 

        Dona Milu (Miriam Pires) e Carmosina (Arlete Salles)     em TIETA (TV Globo, 1989) - Foto: Reprodução Memória Teledramatúrgica por Eduardo Conceição on Twitter 

Quem matou Salomão Hayala? Quem era a amante de Ronaldo? Quem matou Odete Roitman? Quem chefiava a máfia do narcotráfico em Tangará e Ouro Verde? Quem era a mulher de branco de Santana do Agreste? Quem era o assassino da próxima vítima? Quem explodiu o shopping Tropical Towers? Quem matou Lineu Vasconcelos? Estes e outros mistérios que já intrigaram a mente e a imaginação de 9 entre 10 brasileiros noveleiros podem hoje ser todos decifrados instantaneamente nos mais diversos periódicos, livros, blogs, sites, capítulos disponíveis em streamings e em canais de vídeos da internet específicos sobre teledramaturgia brasileira. Todos esses segredos revelados com alguns simples cliques ou uma rápida busca de informações pontuais, registradas nos mais diversos meios impressos, audiovisuais ou cibernéticos.

Há tempos que no universo novelístico apresentado ao grande público nacional não surge um mistério envolvente de fato. Pessoalmente, o último inusitado e surpreendente foi a revelação de que o “médico” Renato, interpretado por Rafael Cardoso, era na verdade mais um vilão da história, que tentava também explorar e matar a herdeira Clara, vivida por Bianca Bin. Isso foi em final de novembro de 2017, em O Outro Lado de Paraíso (2017/18), de Walcyr Carrasco, e lá se vão quase quatro anos.

 

MISTÉRIOS DE BASTIDORES

O que tem intrigado de fato o público brasileiro fã das telenovelas, ou a bolha noveleira, formada pelos fãs, admiradores e verdadeiros torcedores e conhecedores de teledramaturgia (tal e qual costuma ocorrer na cultura esportiva ou futebolística, mais especialmente) são os divertidos, imprevistos, não roteirizados e até folhetinescos mistérios que rondam os bastidores das produções, das políticas de preservação e reproduções de mídias e das reuniões e decisões de bastidores que definem os rumos futuros da teledramaturgia.

De fato, pelo que se lê, muitas vezes, nos comentários, das redes sociais, dos blogs, jornais e revistas os telespectadores costumam opinar e sugerir a programação com suas razões e, muitíssimas vezes, obtém sucesso e acolhimento. Mas, todos sabem que a direção das telenovelas e minisséries tão apreciadas e prestigiadas pelo público brasileiro cabe principalmente aos seus autores, diretores, produtores e diretores de programação das emissoras e dos canais de TV estruturados e constituídos, que decidem na maioria das vezes, seguindo critérios de logístico, bom senso e uso de estratégias para conquista de público. Ainda assim, alguns mistérios persistem. E, vez ou outra, surgem alguns mistérios à primeira vista insondáveis e, por muito tempo, insolúveis.

Os fãs (e técnicos amadores) da teledramaturgia brasileira, no entanto, mantém o seu desejo por informações esclarecedoras.  O povo gosta e quer saber. Então, se você, caro leitor, conheceu/conhece bem a trajetória das novelas e minisséries brasileiras e os fatos do tipo “todo mundo sabe que ‘todo mundo sabe’” que acontecem/aconteceram nos bastidores, ou tem também mais algum outro mistério “ultra-secreto”, porém que está mais para segredo de polichinelo, que queira rememorar, escreva abaixo nos comentários. Todo o telespectador, por mais alheio ou alienado que seja, tem, assim como todo artista ou técnico do meio televisivo, muitas histórias legais e perguntas sérias e descontraídas. Então, bora compartilhar.

Vamos a 10 mistérios que povoam a minha mente de telespectador noveleiro:

 

Sete de difícil resposta:

1 – A novela Sétimo Sentido (TV Globo, 1982 / 46 pontos de média geral de audiência no Brasil, considerada por especialistas como razoável, segundo informação divulgada pelo canal do YouTube Tele Datas) foi exportada e exibida no exterior?

Resposta: Tá dificílimo para o telespectador brasileiro saber ao certo. O livro “Dicionário da TV Globo – vol. 1: Programas de Dramaturgia & Entretenimento” (Jorge Zahar Editor, 2003), de autoria do Projeto Memória das Organizações Globo, não faz nenhuma menção ao fato de Sétimo Sentido ter sido vendida para algum país estrangeiro ou não. Mas, será que uma novela tão importante e prestigiada na época, de horário nobre e produzida por uma emissora que já vendia suas produções para dezenas de países há vários anos, com imenso e padrão de qualidade reconhecidos, não chegaria também ao exterior? ... Enfim, penso que tenha sido apenas uma falha ou deficiência do livro em não registrar as apresentações estrangeiras. Conversando com outros “especialistas” em teledramaturgia brasileiras, chego à hipótese consistente que sim:  Sétimo Sentido pode ter sido comercializada para o exterior, especialmente para os países e emissoras da América Latina, com os quais a TV Globo já tinha sólidas parcerias na década de 1980. Concorre para esta conclusão o fato de que várias outras novelas de sucesso de Janete Clair alcançaram grande projeção no exterior, como por exemplo: Pecado Capital, vendida entre outros países para Bolívia, Espanha, Guatemala e Peru; e Pai Herói, vendida para Argentina, Estados Unidos, Itália, Panamá, Portugal e outros. Infelizmente, não há nenhuma menção de exportação em relação a novela Sétimo Sentido, bem como de outros dois sucessos de Janete Clair, ambos dos anos 1980, Coração Alado e (seu último trabalho) Eu Prometo. Isso também poder ser consequência de que naquela década não existia internet tal como é hoje. Ou seja, toda a informação relevante necessitava principalmente de ser publicada nos veículos impressos para permanecer em maior evidência ou obter maior destaque em futuras pesquisas. Mas, é claro, existiam vários outros meios noticiosos precisos e bem informados, como os programas de rádio e TV. Continua um mistério para mim e para muitos noveleiros ... Certeza da minha suposição que é bom nada, ainda não obtive confirmação ou indício em lugar nenhum. Apenas para situar nos jornais brasileiros é até fácil de pesquisar, pois eles dão bastante destaque às novelas brasileiras, o que nem sempre ocorre nas publicações estrangeiras. Algum dos telespectadores/leitores mais antenados naquela época saberia informar mais curiosidades sobre a trajetória de Sétimo Sentido?

2 - Por que a ideia de reapresentação na íntegra ou compacta da novela Pai Herói (TV Globo, 1979), em 1983, desagradou a censura do governo militar então em vigor no Brasil e que, por isso, vetou ou inviabilizou a possibilidade a sua reapresentação em pelo menos duas ocasiões: na seção Vale a Pena Ver de Novo, em 1981 e em 1984? (Boatos veiculados nos anos 2000, nas comunidades virtuais e redes sociais, davam conta de que a novela de Janete Clair era uma forte candidata à reexibição também no horário nobre das 20h, em 1983, após o falecimento do ator Jardel Filho e encurtamento da novela Sol de Verão, mas seu lugar foi escolhida e apresentada uma versão compacto de O Casarão). No entanto, nunca foram suficientemente divulgados e elucidados os motivos pelos quais a censura do governo militar teria barrado ou inviabilizado uma nova apresentação da novela de Janete Clair tida uma de suas maiores audiências, e que repetia o êxito estrondoso alcançado por Irmãos CoragemSelva de Pedra, entre outras.

Resposta: Especulações ponderadas, e em parte hipotéticas, podem apenas supor que considerando que a trama central de Pai Herói propõe um resgate da honra de velhas gerações, com certeza, este é um fato que em geral costuma desagradar aos censores da cultura em ditaduras autoritárias, corruptas e usurpadoras do poder. Mas, alguém mais bem informado poderia talvez divulgar atualmente os memorandos ou pareceres oficiais, certamente arbitrários e inconsistentes, da época, emitidos pela censura?

3 – Em que local geográfico (cidade e país) situava-se a estação de esqui mostrada nas cenas do primeiro capítulo de O Sexo dos Anjos (TV Globo, 1989, texto de Ivani Ribeiro), visitado pela protagonista Isabela (vivida pela atriz de mesmo nome, a talentosíssima Isabela Garcia) e pelos personagens Rogê (Otávio Müller) e o emissário da morte, Adriano (Felipe Camargo)?

Resposta: Segundo uma vaga lembrança pessoal de reportagem sobre os bastidores deste grande sucesso da autora Ivani Ribeiro, exibido talvez pelo extinto programa Vídeo Show, tenho a leve impressão de que o local em questão esteja localizado na Cordilheira dos Andes, no Chile. Porém, não há como ter certeza porque os diálogos do primeiro capítulo da novela não mencionam em qual país estrangeiro a protagonista se encontra. Já a revista AMIGA, conceituada publicação especializada em teledramaturgia, que trazia os resumos dos capítulos e reportava os acontecimentos relacionados às gravações e roteiros das novelas, informou por ocasião da edição da semana de estreia da novela, que a personagem estava em viagem em um congresso de assistentes sociais na Itália, precisamente em Roma. Portanto poderia se deduzir que a estação de esqui mostrada na novela era localizada nos Alpes italianos. Mas, será que isso de fato procede? É uma questão que gera dúvidas, pois já houve pelo menos três outros casos na teledramaturgia de locações em países estrangeiros ou mesmo no Brasil que simularam ambientações em outros países. Basta lembrar das cenas na zona portuária de Southampton, na Inglaterra, e no navio S.S. Shieldhall, na novela Terra Nostra (1999/2000), simulando um porto italiano e o navio fictício Andrea I. E podemos citar também cenas do primeiro capítulo de A Lua Me Disse (2005), em que imagens captadas nos Alpes Austríacos e na cidade austríaca de Innsbruck, simularam um cenário na Suíça, país historicamente reconhecido pela sua tradição em educação em regime de internato, e onde uma personagem jovem (e de destaque) da novela estudava. Já o último capítulo de Esperança (2002/2003) teve cenas gravadas no próprio Brasil, mais precisamente no município de Monte Belo do Sul, Rio Grande do Sul, simulando cidade do norte da Itália, com ambientação da década de 1930. Em todos esses casos ocorreram certamente decisões estratégicas para as simulações de lugares ou países diferentes do que os textos propunham, devido certamente a questões logísticas mais adequadas ou propícias, em outras palavras, questões de economia e planejamento/redução de custos.  Confira nas matérias abaixo:

Matéria publicada pelo jornal ZERO HORA, em 12/02/2003, página 39

Matéria publicada pela revista MINHA NOVELA, edição nº 288, de 11/03/2005

4 – As fitas analógicas que contém os capítulos das telenovelas Novo Amor, Amazônia/Amazônia Parte II e 74.5 – Uma Onda no Ar, além da inédita e impedida de judicialmente O Marajá, de propriedade da massa falida da antiga TV Manchete foram realmente comercializadas em leilão ocorrido em 14/10/2021, afinal de contas, ou não? Quem comprou este acervo? Foi uma pessoa física ou uma pessoa jurídica? Enfim, a divulgação de quem arrematou esse lote de conteúdo audiovisual histórico da teledramaturgia pode ser noticiada? Ou trata-se de um negócio sigiloso, sendo a possibilidade de revelação ou não um direito do comprador, no caso, o arrematante das fitas? E quais as reais possibilidades de que estas produções televisivas possam ser reexibidas em canais gratuitos ou plataformas comerciais de streaming, considerando o necessário respeito e consideração aos direitos autorais envolvidos? Esta questão se estende a outras, como por exemplo: Quanto aproximadamente o SBT desembolsou e pagou em direitos autorais para reexibir Pantanal, por exemplo, em valores corrigidos? E quanto a Band desembolsou e pagou em direitos autorais para reexibir Mandacaru?

Resposta: “Mistééério!”, como diria Dona Milu. Informações top secret. Os telespectadores e fãs das produções da falida Manchete geralmente só ficam sabendo de especulações. Enquanto isso, essas três produções citadas, Novo Amor, Amazônia/Amazônia Parte II e O Marajá, todas exclusivas da Manchete, e mais 74.5 – Uma Onda no Ar, em parceria com a produtora independente TV Plus, ainda despertam grande curiosidade entre os noveleiros, mas seguem no limbo da memória nacional, devido ao descaso com o acervo da massa falida da respectiva emissora de TV, ou integrando uma inacessível coleção particular não se sabe de quem, protegida é claro pelo direito à propriedade privada. E se há mesmo interesse em preservar e promover a cultura nacional por parte desses colecionadores, fica aqui a dica de um noveleiro: “‘Presente de grego’ também tem valor”. Não conheço novela grega, mas em relação aos filmes gregos tem alguns muito bons. ... Com certeza o remake de Pantanal na Globo, desde que foi anunciado, vem recebendo grande torcida. Idem, a nova adaptação anunciada de Dona Beija, pela produtora Floresta, que será produzida já diretamente direcionada às plataformas digitais. ... E das novelas antigas leiloadas do acervo da Manchete, as mais badaladas que deixaram de ser reexibidas com o fim desse canal – Corpo Santo, Helena, Carmem e Kananga do Japão – já são super conhecidas, pois foram bastante reprisadas, embora sejam muito boas, tenho mais dúvidas, pois nem sempre o apelo nostálgico funciona. No entanto, sobraram ainda muitas outras produções televisivas tidas pela crítica especializada como “obscuras”: novelas, e também minisséries. E destas, as quatro que citei inicialmente. Fico torcendo para que o comprar invista ainda mais, negocie com seus autores e artistas, e possa divulgar o seu rico acervo de teledramaturgia. Torço para que estas novelas retornem um dia aos sites ou às plataformas de streaming, e possam concorrer de igual pra igual com as novelas globais, com as mexicanas, e também é claro, com as séries internacionais, antigas e atuais.


5 – O que aconteceu com a produtora independente TV Plus nas décadas de 2000, 2010 e 2020, posteriormente ao auge de suas atividades? [Relembrando e ressaltando que na década de 1990, esta produtora de conteúdo de teledramaturgia foi uma das mais ativas e exitosas do pais, tendo sido co-responsável pela realização das seguintes produções: minissérie O Sorriso do Lagarto, co-produzida e exibida pela TV Globo em 1991, e, anos depois, as telenovelas 74.5 – Uma Onda no Ar (1994), exibida pela extinta TV Manchete, e A Idade da Loba (1995/96) e O Campeão (1996), ambas exibidas pela TV Band.]

Resposta: “Mistééério!”, como diria Dona Milu. “Ninguém sabe, ninguém viu.” Se alguém sabe o desfecho dessa história, conta e compartilha. O que se sabe é que algumas das produções da TV Plus foram longe. A minissérie O Sorriso do Lagarto foi lançada em DVD em 2013, pela Globo Marcas; e as novelas 74.5 – Uma Onda no Ar, A Idade da Loba e O Campeão foram também comercializadas e exibidas no exterior, em Portugal, pela emissora RTP1, com apenas alguns meses de diferença da época da exibição no Brasil. ... Mas, se o paradeiro ou destino desta empresa produtora de teledramaturgia foi notícia eu estou por fora. Não fiquei sabendo ou passou em brancas nuvens. Até o momento, permanece o mistério ...

6 – Quais serão as próximas telenovelas clássicas de propriedade da TV Globo que serão relançadas pelo Globoplay? Quais as chances de resgate de novelas mais antigas, ainda que já tenham sido exibidas nas faixas de reprises no Vale a Pena Ver de Novo ou no canal Viva, a exemplo de O Bem Amado, Vereda Tropical, Roda de Fogo e Duas Caras?

Resposta: Pode-se dizer que boa parte do público do Globoplay, do canal Viva e da própria Rede Globo já consegue intuir e prever quais serão as próximas telenovelas clássicas, que este grupo empresarial produtor de conteúdos de televisão recuperou, reexibiu em várias ocasiões e em novas plataformas e canais de exibição, além dos tradicionais. A maioria dos títulos aguardados e anunciados já foram exibidos pelo canal Viva, mas ainda restam vários que ainda não foram relançados no streaming, entre eles: Dancin’ Days, Água Viva, Baila Comigo, O Dono do Mundo e Sinhá Moça original. Além, é claro, de algumas outras excelentes produções da teledramaturgia nacional que, segundo as redes sociais, também já se encontram digitalizadas, completas e “preparadinhas”, ou seja, prontas para um eventual relançamento como por exemplo, Locomotivas, O Sexo dos Anjos e Corpo Dourado. A dúvida recai sobre a questão se o Globoplay continuará ou encerrará este trabalho e investimento precioso de resgate das telenovelas clássicas e conseguirá finalmente resgatar os títulos mais obscuros, porém, por conta disso, raridades surpreendentes, verdadeiros biscoitos finos da teledramaturgia global, como por exemplo, as telenovelas Jogo da Vida, Guerra dos Sexos original, Sétimo Sentido, O Homem Proibido, Transas e Caretas, Louco Amor, Corpo a Corpo, Força de um Desejo, Elas Por Elas, Ti Ti Ti original, Livre Para Voar, Despedida de SolteiroPerigosas Peruas, Andando nas Nuvens, Como Uma Onda, Beleza Pura entre outras. Estou na torcida para que sim, que o Globoplay continue com este maravilhoso projeto de resgate das novelas globais clássicas, até quando puder. Eu e toda a torcida noveleira.


7 – Por que a TV Globo desistiu de reprisar Baila Comigo na faixa Vale a Pena Ver de Novo em 1983, depois de anunciar a reapresentação, inclusive com chamadas comerciais (propagandas) e em cima da hora substituir por Feijão Maravilha?

Resposta: Hipótese de muitos noveleiros: a Globo quis dar uma segunda chance ao trabalho exitoso do autor Bráulio Pedroso, um mestre da comédia televisiva, nesta sua excelente homenagem ou reedição das chanchadas da produtora de cinema Atlântida. Então, suspeita-se que ela tenha sido deixada em stand by propositalmente e pensaram que futuramente ela teria uma nova chance na emissora na próprio Vale a Pena Ver de Novo. Ou ainda, com o término de Sinhá Moça (a versão original), em exibição inédita, em 1986, no horário das 18horas, devido aos problemas carga horária exaustiva na época e as subsequentes negociações de ajustes trabalhistas entre a emissora e o sindicato dos artistas, o que provocou atrasos na programação da estreia de Direito de Amar. No entanto, novamente perdeu a vez, pois a escolhida para reprise foi Locomotivas, uma trama das 7 por muitos considerada mais leve. Surgiu ainda outro boato na imprensa espalhando a ideia de um compacto da novela a ser programado como uma tapa-buraco para o horários das 8, uma vez que a produção de Mandala estava com poucos capítulos de frente antes da estreia. Mas, outra vez foi só boato (Veja uma nota da revista AMIGA abaixo). Em relação ao Vale a Pena, resume-se que a direção da Globo temia problemas com a censura, uma vez que todas as proposições de reexibições de novelas das 8 à tarde eram constantemente mais visadas e patrulhadas. Daí que se pode concluir que a liberação de Água Viva, em 1984 (a única novela das 8 reprisada  em horário diurno na década de 1980) deve ter sido mesmo um momento breve de distensão ou uma “concessão” proporcionada por censores mais tolerantes. Quem esperava um repeteco de Baila Comigo nas décadas de 1980 e 1990, ficou na saudade, e só conseguia matar um pouquinho dessa saudade com a cena do primeiro encontro dos gêmeos Quinzinho e João Victor na abertura escrachada do programa humorístico TV Pirata. Mas, a dúvida persiste: a reprise de Baila Comigo foi descartada por falta de oportunidade mesmo, por imposição da censura ou por falta de ousadia e decisão. Seja como for, o primeiro grande sucesso solo de Manoel Carlos no horário nobre (com a sua primeira Helena, vivida então por Lilian Lemmertz) finalmente foi resgatado pela TV paga, sendo reexibido no canal Viva, em 2018/19. Assim também foi Pai Herói, em 2016/17, além de ter sido lançada em DVD em versão compacta (box com 13 DVDs), em 2016, e disponibilizada na íntegra aos assinantes do Globoplay, em 2021.

[Colaboração: Césio Vital Gaudereto (Blog REVISTA AMIGA E NOVELAS)]


Três já decifrados

 

8 – Por que a Globo desistiu de produzir remakes de Dancin’ Days, Fogo Sobre Terra e Amor com Amor se Paga e decidiu apostar numa nova versão de Pantanal?

Resposta:  Não há como saber ao certo os motivos decisivos, mas as explicações noticiadas são bem coerentes ou pelo menos razoáveis. Então, vamos reconstituir as histórias oficiais por etapas: 1 - Dancin' Days: a ideia para um remake foi divulgada em setembro de 1997, e era liderada pelo próprio autor do texto original, o genial Gilberto Braga. No entanto, o escritor e a emissora não chegaram a um consenso devido talvez ao fato de que a emissora . Aos poucos, o autor precisou desistir da sua intenção de dar uma nova embalagem ao seu texto clássico da teledramaturgia que alcançou grande sucesso em 1978. A Globo lhe solicitou ainda textos inéditos e nos dois anos seguintes antes da virada do século, ele trabalhou intensamente em novos roteiros, escrevendo a minissérie Labirinto e a novela das 6 Força de um Desejo. Talvez o que mais tenha levado à desistência do projeto tenha sido a decisão de trazer outro ritmo à narrativa  diferente da música disco dos anos 70, já que as boates e clubes daquele ritmo em específico já não existiam mais, ou seja, teriam que migrar para um ritmo mais brasileiro e talvez bem menos popular; 2 - Fogo Sobre Terra: a possibilidade de um remake de uma das novelas mais ousadas da autora Janete Clair foi trabalhada pelo autor Ricardo Linhares, que reescreveu a sinopse e a apresentou à direção da Globo em 2005. No entanto, logo ele seria chamado novamente a trabalhar em parceria com autores veteranos e entrou para a equipe de Gilberto Braga, como co-autor de Insensato Coração; 3 - Amor com Amor se Paga: a ideia foi divulgada em 2020, sendo então uma encomenda do autor e coordenador da teledramaturgia global, na época, Sílvio de Abreu ao também autor Alcides Nogueira. No entanto, a história do avarento Nonô Correia, criado pela brilhante Ivani Ribeiro, seria transposta para a década de 1940, no pós-segunda guerra, ou seja, não seria ambientada na contemporaneidade. Muito provavelmente, esta solução de "modernização" não agradou, pois logo surgiu uma intensa procura e curiosidade pela novela icônica de 1984, que voltou a ser lembrada com frequência, e, daqui a exatamente semana, voltará no Canal Viva. Portanto, ao que parece, a possibilidade de um remake está temporariamente descartada. E 4 - Pantanal: em 2020/21 tudo parece conspirar a favor de uma nova versão. O mesmo texto clássico de Benedito Ruy Barbosa, que foi um sucesso surpreendente na TV Manchete, está agora sendo reescrito pelo seu neto, Bruno Luperi, com previsão de estreia para 2022. Mas, nestes 31 anos que separam a novela que está em fase de pré-produção da novela original (que foi super bem sucedida ao natureza selvagem brasileira e alcançou índices significativos de audiência), muita coisa mudou, desde a consolidação de novas legislações ambientais, com novos segmentos empresariais ligando-se aos tradicionais do meio agropecuário, à cultura grotesca da polarização política. Houve avanços perceptíveis em setor econômicos como o das comunicações, e retrocessos e agravamentos também notáveis em questões ecológicas e ambientais, como o aumento das queimadas. A produção conta o apoio de um grande contingente populacional da região pantaneira, do Mato Grosso do Sul e no Brasil em geral, de um público que vê com bons olhos esta remontagem da teledramaturgia brasileira. É uma vantagem para o novo autor, sob certo aspecto.  Embora para o meu gosto e opinião pessoal, um remake de Pantanal na Globo seria mais adequado para o horário das 23h, que é tradicionalmente ocupado pelas minisséries ou superséries ou novelas de curta duração, mais experimentais. Mas, sabe-se que Pantanal já está na linha industrial da teledramaturgia global. Torço, portanto, que os novos diálogos sejam os mais inteligentes e sociáveis possíveis, e as imagens, as mais naturalistas e espontâneas, ligadas proporcionalmente ao estilo épico e romântico do seu autor.

Anúncio da novela PANTANAL, por ocasião da reprise de 1998, publicado pela revista AMIGA

9 – Quem são alguns os preparadores de elenco, coaches e dublês de atores mais famosos ou recrutados e em que produções atuaram?

Resposta:

Gracindo Júnior, em EXPLODE CORAÇÃO: ator (viveu o personagem Geraldo), diretor assistente e coach do ator Ricardo Macchi (que interpretou o cigano Igor)


Rosana Garcia, em BELÍSSIMA: preparadora de elenco infantil, coach da atriz mirim Marina Ruy Barbosa (a Sabina)


Sura Berditchevsky, em ERA UMA VEZ: atriz (viveu a personagem Letícia) e preparadora do elenco infantil da novela


Graziela di Laurents, em MULHERES DE AREIA: dublê de corpo das protagonistas Ruth e Raquel, que auxiliou na marcação de cena e no trabalho de ensaios de texto, auxiliando interpretação da atriz Glória Pires, devida também à semelhança física com a intérprete das personagens


Mônada Guimarães, na série A JUSTICEIRA: dublê nas cenas de ação vividas pela personagem Diana Maciek (Malu Mader), a protagonista da história. Logo no início da produção do programa, a atriz Malu descobriu que estava grávida de seu segundo filho, Antonio, e então precisou contar com o apoio da dublê contrada pela TV Globo, especialmente as cenas de perseguição e de embate físico mais intensas. 


Cynthia Falabella, em O CLONE: dublê que assumiu a personagem Mel, fisicamente, por determinado número de capítulos, enquanto a intérprete oficial, sua irmã mais famosa Débora teve que se afastar da trama temporariamente para tratar de uma crise de meningite.



10 – Que novelas tiraram seus títulos de outras obras homônimas famosos, filmes e músicas (ou versos das músicas)?

Resposta:

Receberam nomes tirados de títulos de Filmes (a partir de sugestões de autores ou diretores):

- Mulheres Apaixonadas: Mulheres Apaixonadas (Women in Love, INGLATERA, 1969);

- Tempos Modernos: Tempos Modernos (Modern Times, EUA, 1936);

- A Regra do Jogo: A Regra do Jogo (La Règle do Jeu, FRANÇA, 1939); e

- Um Lugar ao Sol: Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun, EUA, 1951).

Receberam nomes de títulos ou versos de Músicas (a partir de sugestões de autores ou diretores, ou ainda, diretores de trilhas sonoras):

- Sem Lenço, Sem Documento: "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso;

- Te Contei?: "Te Contei?", de Sônia Burnier, composta por Rita Lee e Roberto Di Carvalho;

- Pecado Rasgado: "Não existe pecado ao sul do Equador", de Ney Matogrosso, composta por Chico Buarque e Ruy Guerra;

- Pai Herói: "Pai", de Fábio Júnior;

- Chega Mais: "Chega Mais", de Rita Lee;

- Coração Alado: "Noturno", de Fagner;

- Baila Comigo: "Baila Comigo", de Rita Lee;

- Paraíso: "Promessas Demais", de Ney Matogrosso, composta por Moraes Moreira, Zeca Barreto e Paulo Leminski;

- Final Feliz: "Flagra", de Rita Lee;

- Louco Amor: "Nosso Louco Amor", da banda Gang 90 & Absurdetes;

- Voltei Pra Você: "Voltei Pra Você", de João Paulo de Almeida;

- Vereda Tropical: "Vereda Tropical", de Ney Matogrosso, composta por Gonzalo Curiel;

- Um Sonho a Mais: "Whiskiy a Go go", da banda Roupa Nova;

- Ti Ti Ti: "Ti Ti Ti", da banda Metrô, composta por Rita Lee;

- Bambolê: "Conquistador Barato", de Léo Jaime;

- Sassaricando: "Sassaricando", de Rita Lee e Roberto Di Carvalho, composta por Luiz Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães;

- Meu Bem Meu Mal: "Meu Bem Meu Mal", de Marcos André, composta por Caetano Veloso;

- Fera Ferida: "Fera Ferida", de Maria Bethânia, composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos;

- Tropicaliente: "Coração da Gente", de Elba Ramalho, composta por Nando Cordel e João Wash;

- Explode Coração: "Explode Coração", de Gonzaguinha, regravada por Maria Bethânia;

- Como Uma Onda: "Como uma Onda", de Lulu Santos, composta em parceria com Nelson Motta;

- Cheias de Charme: "Cheias de Charme", de Guilherme Arantes;

- Além do Horizonte: "Além do Horizonte", de Erasmo Carlos, composta em parceria com Roberto Carlos;

- Totalmente Demais: "Totalmente Demais", de Anitta, reescrita por MC Duduzinho, versão alternativa (nova versão com alguns versos modificados) da canção da banda Hanói Hanói; e

- Segundo Sol: "O Segundo Sol", da  banda Baianasystem, nova versão da canção popularizada por Cássia Eller, composta por Nando Reis. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

RADICAL DEMAIS - As trilhas sonoras de Fera Radical

10 REFERÊNCIAS DO CINEMA E DA TV RELACIONADAS ÀS REPRISES DE NOVELAS "INÉDITAS" DO CANAL VIVA

6 CANÇÕES TRIBUTO TEMAS INTERNACIONAIS DE NOVELA